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L.C. Ferreira Word

Porque tudo o que conheço não chega, porque nunca direi vezes suficientes e porque sim...

L.C. Ferreira Word

Porque tudo o que conheço não chega, porque nunca direi vezes suficientes e porque sim...

Deixei o Amor Escrito

por lcferreira, em 10.03.11

 Percorri os cadernos antigos e lembrei-me do amor que lhe tinha. Todas as loucuras em nome desse sentir, todas as meias madrugadas passadas juntos, os olhares trocados em silêncio sepulcral, não fosse alguém reparar.

 

 Olhei para ele, anos que se passaram depois de encher as páginas dos meus cadernos com declarações de amor, com indignações, com revoltas e reviravoltas, com esperança, nele, por ele, por nós, em nós.

 Olhei-o. Tão mais velho do que é, vincou o tempo com força o rosto que os olhos azuis fazem brilhar. Faziam.

 Não brilha como brilhava, na excitação de um acto proibido, altas horas da manhã. Não sorri como sorria, quando o enchia de carinho desprovido de futilidade.

 

 Olho-o nos olhos e recordo-me de o ter amado tão sofregamente que mal respirava quando finalmente o tinha comigo. Recordo-me de um menino com ares de homem, a quem bastava um afago para acalmar o temperamento difícil. Recordo, ao olhá-lo directamente nos olhos, das noites solitárias e das lágrimas que as acompanhavam, quando a resposta não vinha e o tempo passava e se acabava. Lembro-me da irracionalidade com que se afastou, com que me afastou, sem um adeus, sem um porquê. Lembro-me da dor aguda, quando o ar me faltava entre soluços constantes.

 

 Será que ele sabe o tamanho do amor que perdeu, envolto nos seus fantasmas e negativismo? Será que pensa o quão estupidamente tolo foi, a afastar uma mulher que estava disposta a aceitá-lo com todos os seus defeitos e imperfeições? Será que tem noção?...

 

 Não o quero de volta, segui em frente. Deixei-o dentro dos meus cadernos e das minhas recordações de amor de um ontem qualquer. Mas sou assim, tenho pena de todo o amor desperdiçado, este é um.

 

 

 

 Sempre amei com o coração por inteiro, com a alma nua e com o corpo quente. Não sei ser doutra maneira, não quero. Não quero olhos de cinismo puro, a adivinhar desgraças por trás de actos desprovidos de maldade. Não quero ser fria em contacto com as dores ou com as lágrimas, as minhas e as dos demais. Renego ser da fornada dos apaixonados descartáveis, os que usam as cores do amor para seu único proveito, sem fazer prisioneiros, sem olhar a meios.

 

 

 O amor é uma coisa muito séria e bonita para se maltratar e deitar fora quando não mais for útil. O fim deste amor foi assim, um desmérito à sua grandeza.

 

 Ficaram os cadernos carregados de palavras e sentimentos, janelas de outrora.

 

 

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