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L.C. Ferreira Word

Porque tudo o que conheço não chega, porque nunca direi vezes suficientes e porque sim...

L.C. Ferreira Word

Porque tudo o que conheço não chega, porque nunca direi vezes suficientes e porque sim...

Queda do Amor

por lcferreira, em 04.05.11

 Todo o rosto estava coberto de sal. O coração minguado pela dor e desespero de se encontrar sozinho.

 

 No meio do vazio que a rodeava e engolia, ela levantou-se num silêncio sepulcral, de faces secas e enrugadas.

 Pé ante pé, como uma criança que aprende a andar, devagar, dirigiu-se à janela do quarto.

 

 Oh!, quanto amor vira fazer aquele quarto, físico e emocional. Quantas palavras de afecto e gestos romãnticos ali se deram, no meio dos lençóis e das almofadas. E agora...apenas a melancolia e o abandono vestiam as paredes sem quadros, a cama era a imagem king size da depressão, o amor tinha mudado de morada.

 

 A janela, que brindara esse amor acabado com raios de sol e olhares de prata, era o destino incontornável que ela escolhia.

 Ela escolheu. Escolheu a saída fácil, sabendo que difícil é estar vivo, aguentar os dias e as noites, tentar. Ela escolheu deixar de tentar, quis fugir permanentemente da dor. Abeirou-se do peitoral onde nunca houvera canteiros de flores e olhou para baixo.

 

 Lá em baixo, as pessoas andavam como se a dor dela não existisse, como se fosse certo que o amor dela a tivesse abandonado sem dó nem razão. Andavam felizes, sem se importarem que a felicidade lhe tivesse sido arrancada do peito.

 

 Fechou os olhos e inalou a humidade do dia.

 Enquanto expirava, em silêncio, deixou-se cair, descalça e livre.

Para que se Renda o Pano e Caiam as Máscaras

por lcferreira, em 03.05.11

 Estou rodeada de pessoas mascaradas, sem que o pedaço opaco que afirmam, em mentira, ser seu, caia.

 

 Seres desprovidos da simplicidade que a verdade tráz. E é-a simples, se a cultivarmos natural em nós, se fizermos dela, a nossa arma mais preciosa.

 Não ter vergonha de se ser o seu próprio eu, é despojar-se de fatalidades que condicionam o viver, que retêm a felicidade e a sua percepção. Pois todos nós somos felizes, em altura certa, mas, envoltos nessa fabricada versão de nós, nem nos apercebemos de quão valioso é o momento.

 

 Somos bombardeados constantemente pelo glamour das estrelas, não mais que comuns mortais imortalizados, tantas vezes, pelas razões mais erradas. Almejamos ser iguais a elas, mudamos a forma de andar, de falar, de sorrir, a forma de ser que nos torna únicos e inimitáveis. Vendemo-nos à ilusão de um mundo que não é real até o ser, acreditando que, uma vez lá chegados, a dor e a infelicidade que o nosso rasto alberga, desaparecerá totalmente.

 Ou somos felizes da nossa maneira, com sonhos sim, pelos quais trabalhamos, ou somos imitações baratas e manufacturadas de um papel idealizado, então, essa dor e infelicidade nunca deixarão de nos acompanhar.

 

 É-nos dito que devemos sorrir, sorrir com os dentes que temos e os que não. E dizer que sim, muitas vezes sim. Que só nesses termos, o valor que impera em nós, irá transparecer e fazer-se ouvir. Que ele é visto, mas passado para segundo plano, quando a nossa própria verdade inconveniente se manifesta, rebelia.

 

 Não vou deixar de ser eu. E tenho vergonha de estar rodeada por personas, por caricaturas patéticas de desenhos animados, sem animação, sem lição de moral no final do episódio.

 

 Tenho vergonha na vergonha que sentem em serem donos da sua vontade, da sua verdade. É para eles que me remeto, na esperança de que se encham de mais do que o vazio que deixam no mundo, por viverem através de um pedaço de plástico mal recortado.

 

 

Mãe

por lcferreira, em 01.05.11

 Mãe, dorme enquanto te canto o meu amor, esse amor que por vezes, não consigo perceber se retornas.

 Dorme, enquanto eu te digo que tenho medo de viver sem ti, que os meus dias sem ti, serão piores e dolorosos.

 

 Somos diferentes, pessoas e mães diferentes, antagónicas, quase épicamente discordantes.

 Mas amo-te.

 Deste-me a vida e eu escolhi vivê-la de modo meu. Não me castigues por isso.

 

 Dorme e acorda, num novo dia que nos recebe e perdura.

 

 Feliz Dia da Mãe.

 

 

 

 

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