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L.C. Ferreira Word

Porque tudo o que conheço não chega, porque nunca direi vezes suficientes e porque sim...

L.C. Ferreira Word

Porque tudo o que conheço não chega, porque nunca direi vezes suficientes e porque sim...

Oh! Se Dói!...

por lcferreira, em 14.06.11

 E agora?...

 

 

Não Olhes Para Trás

por lcferreira, em 04.06.11

 Não voltes, não voltes. Não me dês esperança nem ânsia. Não voltes as costas, não olhes para trás.

 Deixaste-me aqui, no frio escuro da noite estrelada, sem ti, quase sem mim mesma. Abandonaste-me, sem pejo nem arrependimento, porque os hás-de ter agora?... Não, não voltes. Não quero mais desse amor disfarçado, dessa dor enunciada, desse chorar que não se cala.

 

 Foste e eu, sozinha na penumbra de mim, içei-me do buraco negro do teu legado, fiquei em pé, por mim.

 Agora que te dás conta dos erros do teu julgar, do rumo das tuas escolhas insensatas, acreditas que ainda sou tua, que esperei por ti.

 

 Não sou mais tua, sou minha, sou desta noite a que me entregaste, não voltes. Não sejas mais o vilão, o mau senhor, basta que não voltes.

 

 Dei-te o que sabia, o que tinha, o que não podia. E tu partiste. Não voltes, o que era de ti, já se foi.

 

 

Utopia

por lcferreira, em 30.05.11

 Nasceu, mais uma das manhãs ensandecidas da Babilónia, mais um remoinho de vida mal composta, suja e imoral. Despontou na ombreira da janela, causta e inquieta, não adivinha de si o que trás. Alvorada rubra e raiosa, louca e perversa.

 

 Na Babilónia dos cheiros partidos, os homens e as mulheres não são uns dos outros, são unos uns com os outros, numa montanha de carne de todas as cores. Lá, o amor tem sabor de uns e outros, tem nome deles todos, uma amálgama de sentires em uníssono. Sem juízos de valor, sem mal dizeres ou rotulações.

 

 Daqui, de fora dos portões dessa Babilónia medieval, o dia amanhece como outro qualquer, puro e impenetrável. Repleto de mesquinhez e maldade gratuita, de extintores arremessados sem porquê. Aqui, onde a guilhotina enferrujou e a lei mudou, os mancebos e párias tomaram o mundo e fazem dele o que lhes convém, perante a conivência dos nossos líderes.

 

 Deixem-me escapar destes vales repletos de sombras e vultos escondidos na mentalidade da alcateia dos covardes. Deixem-me entrar pelos portões dourados da fantasia, essa Babiilónia que não julga, que não impele a força do que quer, que deixa viver, que deixa amar, ou não, sem quaisquer entraves. Deixem-me sentir o gosto da terra e da água, do suor e do sangue. Deixem-me sorrir e chorar, sem parecer tola ou fraca.

 

 Quero evadir-me desta realidade feia e decrépita dos dias.

 

 

Sons de Amor em Mãos de Água

por lcferreira, em 27.05.11

 Palavras, é o que são, meros sons que se soltam da boca e se vão poisar em teus ouvidos. Palavras empinadas umas nas outras, sem saber onde se enfiar, tamanho o tamanho e peso de cada uma. Palavras tiradas à força, sem dó, sem piedade, e que piedade haverá na descrição do volume de um peito aberto em mãos tuas?...

 

 Palavras a rasgar o breu silêncio a que as boas maneiras vetaram a vontade de gritar, essa vontade que ferve e queima e arranca pele, qual é a intensidade do seu sentimento agreste. Palavras caladas, mudas e surdas, fingidas, singelas, palavras de Amor.

 

 Palavras penduradas no ar, promessas de dias de um tempo melhorado, confidências do mais íntimo e intimorato dos sangues. Palavras que dizem tudo, que deixam tudo por dizer, palavras de paz e de guerra, escritas nos olhos de quem as diz e de quem as cala.

 

 Palavras...para quê?...

 

 Para saberes e não te esconderes nessa capa de sol apagado com que miras a vida passar. Para que aprendas que os sentimentos se revoltam mesmo que lhes digas que não podem. Para veres o efeito que têm quando ditas com emoção explícita e desembaraçada.

 

 São apenas palavras. Saíram de mim, foram endereçadas a ti, por entre um chorar sem razão aparente. Ter-se-ão perdido? Diz-me que não.

 

 Com uma mão cheia de palavras.

 

 

Contigo?...

por lcferreira, em 24.05.11

 Não sou igual sem ti, sem o teu cheiro forte, sem teu passo firme. Não sou. E não gosto.

 

 Peço-te que voltes, que olhes para o que deixaste acontecer e retornes. Eu sei que não partiste. Mas parece. Não estás aqui como suposto, estás e não te sinto, sinto que não te tenho. Sinto um turbilhão no peito, uma tempestade na cabeça, um sem número de coisas más e vis, que não quero, que não gosto, mas que estão cá dentro de mim, a consumir-me, a esgotar o meu amor, a testar a minha saúde. E tento que as entendas mas não consigo e isso só me faz sentir pior, apenas me deixa mais triste e cansada e derrotada. Deixa-me sem conseguir respirar.

 

 Estou cansada de ter esperança, cansada de estar cansada, exausta na espera de um milagre, duma intervenção divina que não chega e não se dá. Sinto-me velha, encarquilhada, fora do meu tempo e do meu jogo, outra de mim que não eu. Esta não sou eu. E tu não entendes, não vês. Não percebes que me perdes por não estares aqui, onde eu estou, a tentar, mesmo com mau ar, mas a tentar, a falar, a querer melhorar, a saber que não falar e dar mais tempo às coisas que mal estão, não vai ajudar, não tem ajudado. Não estás aqui, envolto no enredo da tua vida complicada, sem desejar mais complicações a acrescentar a muitas. Eu também as tenho. Mas estou aqui, não fui a lado nenhum, não finjo que está tudo bem. Talvez fosse mais feliz viver numa ilusão que fabricasse para me amenizar a alma. Mas seria viver em mentira e eu não aprendi a viver a vida assim, recuso-me, não aceito viver assim.

 

 Talvez estivesse enganada quando acreditei que o amor salvava tudo, que bastava amor entre duas pessoas para fazer rodar o mundo da melhor maneira, talvez tenha sido ingénua, inocente, crente numa fábula infantil. Parva. Não contei que amar, não dá vontade às pessoas para fazer melhor, achas que o tempo resolve o que é nosso de resolver, juntos, sem guerras civis, sem feridos, sem sangue derramado. O tempo tem ares de cura mas não aqui, não agora, não nisto. Isto é nosso de ultrapassar e eu não sei se queres.

 

 Precisamos de ajuda, eu preciso de ajuda, encurralada que estou neste remoinho de negatividade e lágrimas em que me encontro. Preciso de ti, presente, com vontade, sem dizer que o tempo a que se arrastam os problemas não é assim tanto como eu faço parecer, nesta ânsia de mudar o rumo que escolheste tomar e nele me arrastar. Todo o tempo que perdemos, não é recuperável. Dizeres que é, não faz de ti ingénuo nem inocente.

 

 Faz de ti mentiroso.

 

 

Para que se Renda o Pano e Caiam as Máscaras

por lcferreira, em 03.05.11

 Estou rodeada de pessoas mascaradas, sem que o pedaço opaco que afirmam, em mentira, ser seu, caia.

 

 Seres desprovidos da simplicidade que a verdade tráz. E é-a simples, se a cultivarmos natural em nós, se fizermos dela, a nossa arma mais preciosa.

 Não ter vergonha de se ser o seu próprio eu, é despojar-se de fatalidades que condicionam o viver, que retêm a felicidade e a sua percepção. Pois todos nós somos felizes, em altura certa, mas, envoltos nessa fabricada versão de nós, nem nos apercebemos de quão valioso é o momento.

 

 Somos bombardeados constantemente pelo glamour das estrelas, não mais que comuns mortais imortalizados, tantas vezes, pelas razões mais erradas. Almejamos ser iguais a elas, mudamos a forma de andar, de falar, de sorrir, a forma de ser que nos torna únicos e inimitáveis. Vendemo-nos à ilusão de um mundo que não é real até o ser, acreditando que, uma vez lá chegados, a dor e a infelicidade que o nosso rasto alberga, desaparecerá totalmente.

 Ou somos felizes da nossa maneira, com sonhos sim, pelos quais trabalhamos, ou somos imitações baratas e manufacturadas de um papel idealizado, então, essa dor e infelicidade nunca deixarão de nos acompanhar.

 

 É-nos dito que devemos sorrir, sorrir com os dentes que temos e os que não. E dizer que sim, muitas vezes sim. Que só nesses termos, o valor que impera em nós, irá transparecer e fazer-se ouvir. Que ele é visto, mas passado para segundo plano, quando a nossa própria verdade inconveniente se manifesta, rebelia.

 

 Não vou deixar de ser eu. E tenho vergonha de estar rodeada por personas, por caricaturas patéticas de desenhos animados, sem animação, sem lição de moral no final do episódio.

 

 Tenho vergonha na vergonha que sentem em serem donos da sua vontade, da sua verdade. É para eles que me remeto, na esperança de que se encham de mais do que o vazio que deixam no mundo, por viverem através de um pedaço de plástico mal recortado.

 

 

Pai

por lcferreira, em 19.03.11

 Pai.

 Palavra forte a acompanhar um posto exigente. difícil.

 

 Falhaste-o, falhaste-me. Quando andavas a combater os teus demónios, esses demónios que convidaste a ti, e desintegraste a nossa família, enquanto andavas nas meias laranjas da vida, eu cresci cedo demais a tentar fazer o teu papel, a reparar os teus erros, a odiar-te.

 Enquanto percorrias as ruas escuras e galgavas os prédios rosados em busca da felicidade efémera, eu fui desprovida da inocência, foi-me arrancada da maneira mais vil e cruel que se possa imaginar. E tu não estavas aqui para me proteger, para me amparar, para me vingar. Apenas me fez odiar-te mais.

 

 Estás velho, marcado pelas más escolhas feitas. És um bom avô e o teu neto adora-te. Eu não partilho do mesmo sentir, lembrada dos tempos passados. Sou assim, desculpes ou não. Foste o primeiro homem que me falhou, que não cumpriu com promessas para comigo e não to sei desculpar.

 

 Ainda assim, e porque os meus irmãos perdoaram e porque ser avô é ser pai em dobro e o meu filho ta ama, Feliz Dia do Pai.

Desabafo

por lcferreira, em 11.03.11

  O meu amor chama por ti, pela tua mão fria na minha face febril.

  Tráz de volta a inocência e a descoberta de outros tempos, quando não pensávamos saber tudo um sobre o outro...

 

 

À espera que me notes

por lcferreira, em 06.09.10

 Estar ébrio não é estar 'alegre', consegue  ser basrtante deprimente. O estômago arde, os movimentos não saem da forma mais célere, a fala atropela-se a si própria.

 

 Estar ébrio é pedir atenção, maneira mais errada não haverá certamente, pedir 'olha para mim, estou aqui', é ver-se sem outra forma de se ser notado. Esgotar toda a convencionalidade das palavras e passar á frase errática que advém do líquido destilado. É ter uma razão para se ser tresloucadamente opositor do rumo tomado, como se a discordância por si só não fosse razão válida. Estar 'com os copos' dá ênfase ao que temos a dizer.

 

 Ou faz com que me ligues menos ainda. E eu conencida dessa impossibilidade.

 

 Não me dás razão, sóbria ou ébria. Não pensas com o coração.

 

 

 O jantar está feito se é o que te importa.

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