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L.C. Ferreira Word

Porque tudo o que conheço não chega, porque nunca direi vezes suficientes e porque sim...

L.C. Ferreira Word

Porque tudo o que conheço não chega, porque nunca direi vezes suficientes e porque sim...

Divagações de um Ser Ausente de Si

por lcferreira, em 08.07.11

 

 É tarde. A noite está cerrada e vestida de um luto que dói.

 

 Quisera-te aqui a amenizar a crescente provação dos dias lentos e quentes. Este Inferno meu, sem ti.

 

 É de oiro e prata este penar soluçante que se pendura na garganta fechada e seca de onde não saem poemas de amor.

 

 Dói-me o peito e o ar falta-me, faltas tu e teu cheiro a suor que se entranha na carne, teu sorriso patético e sem vontade. Oh!, que angústia esta que me assola e dá de beber amargo trago sem pejo! Que miséria de espírito me assalta e me rende, me leva a melhor através do cansaço de te tentar ensinar a perceber a dor que causas. Todo o corpo me dói e se verga à vontade do sofrer molhado das faces ruborizadas.

 

 Eu não sou mais eu. Sem ti eu sou nada, contigo nem sei. Não sou eu de maneira alguma, deixei-me enredar em ti e nos teus modos grosseiros e já me esqueci de ser eu.

 

 Não me conheces. Achas que sim mas enganas-te. Não, não é possível que me conheças. Eu não me conheço.

 

 Sou uma mancha branca que se move e respira em silêncio, sou pouco mais que a sombra que largas em qualquer lugar, sou a loucura de viver para amar.

 

 Ou era.

 

 

Far Away

por lcferreira, em 04.07.11

 

 Eu sei que te pedi para não vires.

 Mas devias ter vindo.

 Devias ter fincado o pé e lutado pela minha presença física no teu viver.

 

 Estás longe e frio, onde não te posso tocar nem olhar.

 

 Resta-me a solidão de um amor que sobrevive às investidas dos erros e das palavras cruas.

 

 

Oh! Se Dói!...

por lcferreira, em 14.06.11

 E agora?...

 

 

Não Olhes Para Trás

por lcferreira, em 04.06.11

 Não voltes, não voltes. Não me dês esperança nem ânsia. Não voltes as costas, não olhes para trás.

 Deixaste-me aqui, no frio escuro da noite estrelada, sem ti, quase sem mim mesma. Abandonaste-me, sem pejo nem arrependimento, porque os hás-de ter agora?... Não, não voltes. Não quero mais desse amor disfarçado, dessa dor enunciada, desse chorar que não se cala.

 

 Foste e eu, sozinha na penumbra de mim, içei-me do buraco negro do teu legado, fiquei em pé, por mim.

 Agora que te dás conta dos erros do teu julgar, do rumo das tuas escolhas insensatas, acreditas que ainda sou tua, que esperei por ti.

 

 Não sou mais tua, sou minha, sou desta noite a que me entregaste, não voltes. Não sejas mais o vilão, o mau senhor, basta que não voltes.

 

 Dei-te o que sabia, o que tinha, o que não podia. E tu partiste. Não voltes, o que era de ti, já se foi.

 

 

O Amor tem Tardes de Sofrimento Profundo

por lcferreira, em 25.05.11

 Esperei por ti toda a vida nesta tarde que se acabou. Esperei e desesperei de cega que estava pelo sol sufocante que não arredava pé.

 

 Esperei, estátua humana do amor que sinto, do amor que tenho para ti. Quando a tarde se findou e a noite deu de si, eu continuei à espera, em lágrimas, esperei. Quando o céu ardeu e a lua se fez rainha, a esperança que detinha no meu peito, foi morrer no sal do meu olhar, a olhar o horizonte da estrada por onde devias chegar.

 

 Não consigo deixar de esperar, ainda agora, que já deixei a varanda de madeira onde calquei os pés desnudos nessa tua espera infrutífera, ainda espero, mesmo descrente, mesmo sem fé, ainda espero, ainda amo. Daria a vida inteira, essa que gastei no soalho gasto, para entender o que te move e o que não. Quem és tu para me fazer esperar, em angustiante sentimento, no fim do mundo dos outros, envolta em tristeza e abandono, a chorar? Quem és, inconsciente amante que não dás sinal de vida, que não mandas mensageiros com novas de ti?

 

 As naus saíram do porto e foram encontrar os rochedos de fel. Estarias numa delas? Serias tão pouco homem que preferiste fugir deste amor que fizemos nas margens do rio? Talvez nem sequer tenhas ido, embriagado da covardia do não entendimento do sentir, embriagado num canto recôndito e obscuro desta metrópole que nos assalta e engole...

 

 Oh!, que eu esperei tanto por ti, por nós. E o sol brilhou e desapareceu e tu não vieste tirar-me do varandim sujo e descolorado. E eu ainda espero, tão longe que fui pousar, ainda espero pelo encontro do teu olhar, a fitar o meu, a dar-me de beber o amor que não aprendeste a controlar. Ainda espero, tola que sou, apaixonada que estou, espero e desespero, calada, numa ânsia surda e fria, espero. Com tudo o que tenho, sem medo de falhar, sem problemas se falhar, a tentar, espero. Quase sem ar, não vá perder a tua chegada por respirar alto demais. Tola, na espera de ti.

 

 

A Cegueira do Coração faz Luto

por lcferreira, em 14.05.11

 Não desistas de mim.

 Era tudo o que conseguia dizer, tudo o que conseguia pensar. Não, mentira. Ele tinha passado a parte do simples pensar, tinha passado para a parte do pensamento obsessivo.

 Precisava dela e ela não estava, tinha partido. Tinha partido, assim como o avisara tantas vezes, vezes a que ele não dera importância.

 E agora, agora precisava dela, do seu olhar perscrutador e do som da sua voz. Precisava que o viesse salvar, dele mesmo, do seu jeito monótono de viver, da rotina dos dias e da solidão das noites. E ela não vinha, ela não estava mais ali, do lado dele, a olhar por ele, a dizer-lhe o que fazer, ela tinha partido.

 

 Quando? Quando partira ela, que ele, envolvido em si mesmo, não percebera que era a sério, que não voltaria mais? O que tinha sido o ponto maior, que ele não reparara, essa farpa que levara à separação do amor? Soubesse ele qual e não a teria atiçado.

 

 Agora, era tarde. Era?, pensava, cego pela falta que não imaginava que ela lhe fizesse.

 Talvez ainda o aceitasse, doido de dor como estava, corroído pelo vazio dela na sua vida. Sim, talvez seja possível, dizia para consigo.

 

 Correu, voaria se pudesse, foi-se quedar na porta dela.

 A pulmões cheios gritou: "Não desistas de mim!", gritou uma e outra vez, até ela vir espreitar à janela, a chorar.

 

 Ela não chorava como choram as mulheres quando os homens as surpreendem e emocionam, não, não era esse tipo de choro.

 Por entre as lágrimas, ele viu a dor tatuada nos seus olhos, viu-a tão viva que doía olhá-la directamente nos olhos. Não podia ser uma coisa nova, nada novo tem aquele aspecto, aquela dor fazia parte dela há muito tempo. E ele?, como não vira?, como não conseguira perceber que a infelicidade lhe estava a sugar a juventude? Tinha sido tão cego, tão ocupado e cego.

 

 Perdera-a. Conseguia vê-lo, por entre o choro enlutado dela.

 

 Caíu de joelhos no chão, num grito que a urbe abafou. Ela saiu da janela, ele morreu um pouco.

 

 E os dias não mais foram de sol.

 

 

Queda do Amor

por lcferreira, em 04.05.11

 Todo o rosto estava coberto de sal. O coração minguado pela dor e desespero de se encontrar sozinho.

 

 No meio do vazio que a rodeava e engolia, ela levantou-se num silêncio sepulcral, de faces secas e enrugadas.

 Pé ante pé, como uma criança que aprende a andar, devagar, dirigiu-se à janela do quarto.

 

 Oh!, quanto amor vira fazer aquele quarto, físico e emocional. Quantas palavras de afecto e gestos romãnticos ali se deram, no meio dos lençóis e das almofadas. E agora...apenas a melancolia e o abandono vestiam as paredes sem quadros, a cama era a imagem king size da depressão, o amor tinha mudado de morada.

 

 A janela, que brindara esse amor acabado com raios de sol e olhares de prata, era o destino incontornável que ela escolhia.

 Ela escolheu. Escolheu a saída fácil, sabendo que difícil é estar vivo, aguentar os dias e as noites, tentar. Ela escolheu deixar de tentar, quis fugir permanentemente da dor. Abeirou-se do peitoral onde nunca houvera canteiros de flores e olhou para baixo.

 

 Lá em baixo, as pessoas andavam como se a dor dela não existisse, como se fosse certo que o amor dela a tivesse abandonado sem dó nem razão. Andavam felizes, sem se importarem que a felicidade lhe tivesse sido arrancada do peito.

 

 Fechou os olhos e inalou a humidade do dia.

 Enquanto expirava, em silêncio, deixou-se cair, descalça e livre.

Um Adeus é Sempre uma Perda

por lcferreira, em 20.03.11

 Ela partiu.

 Levantou-se por entre o bafio e o cheiro a tinta seca e saiu corredor fora, levando tudo com ela.

 Levou os livros, os das receitas que aprendeu para o agraciar e os das estórias que lhe deram alento quando ele lhe faltou em companhia.

 

 Levou os anos, guardou-os na alma, o que deles restava depois dele os gastar.

 Levou as lágrimas, todas elas, as de ontem e as que insistiam em cair agora que tudo se acabava.

 

 Levou o amor, trapo rasgado e queimado, outrora sadio e vivo, parecia ter sido noutra vida.

 

 Levou-se a si mesma por aquele corredor, o pouco que ainda de si reconhecia, e era pouco, de tão vazia que estava.

 Levou os sonhos, um a um, os dela e os que tinha sonhado para eles, esse eles que se extinguiu pela humidade dos dias.

 Levou os segredos que escondeu dele e os que sendo dele, escondeu de si em negação assumida.

 

 Tudo ela levou e tudo lhe pesou o corpo marcado, todavia, era um peso menor do que o que carregara enquanto fora dele.

 

 Deixou-o em silêncio, ele não fez caso, pensando talvez ser apenas mais uma cena dramática, uma como tantas outras em busca de atenção, da sua atenção. Ele, que tanto mais tinha para fazer ao invés de dar validação à alucinação recorrente dela.

 

 Ela conhecia-o bem, sabia que não a seguiria nem entraria em desespero aflito, sentir-se-ia livre, sem ao menos entender que de entre os dois, era ela a prisioneira. Retida na sombra do Amor e na promessa d'um Amanhã que não chegava, ora porque não era a hora, ora porque ela o pedia em demasia.

 

 Deixou as desculpas vãs, as palavras ocas, deixou-as para o confortarem durante a noite.

 

 Saiu.

 Um rasto de perfume foi tudo o que ficou no corredor lôbrego, por entre o bafio e a tinta seca.

 

 

A Rosa era feita de Espinhos

por lcferreira, em 07.03.11

 

 Eram espinhos, na minha voz, nas minhas mãos, espinhos por mim adentro e por mim afora.

 

 Foram tempos tempestuosos, escuros, o tipo de tempo que não se escolhe nem se prevê. Tempos de um amor que se perdeu por entre a nudez da maldade de um homem...

  Dias de guerra e noites aflitas, suspiros e gritos, silêncio da razão. Por entre os destroços e as ruí­nas de um sentimento afogado, tudo o que ficou de pé, foi parco e fraco, pequeno. Foi do meio dessa fealdade e desse sabor a fel que renasci...

 

 Esses espinhos, essas dores, esse desamor tão grande e violento, fizeram de mim quem sou, para o melhor e para o pior.

 

 Não sou um sol radiante, tenho sombras no rosto.

 Não sou uma melodia de fundo, tenho fados na lí­ngua.

 Não sou igual a todas, sou one in a million.

 

 Sou eu em pleno direito, forjada pelas cruzes carregadas, marcada por elas, não mais escrava delas. Fazem parte de mim, da história que vou deixar quando me for, pedaços apenas, tenho muito mais para escrever no livro da minha vida.

 

 Eram espinhos. Estavam por todo o lado, dormiam e acordavam comigo. Já lá vão, não magoam como magoavam, não sangram como sangravam.

 

 O tempo é ventoso, é verdade. Mas a tempestade passou, o sol nasceu e a vida encontrou uma maneira de seguir em frente.

 

 Guardei os espinhos para me lembrarem do breu e do que foi preciso para dele fugir. Para poder renascer e viver.

 

Corpos desnudos

por lcferreira, em 09.09.10

 Sem roupa, essas amarras impostas, o mistério extingue-se, apaga-se a curiosidade da carne escondida, a ilusão dá-se por perdida.

 

 Sem artefactos em cima da pele, ficamos inseguros, vulneráveis, crus.

 

 É vermo-nos expostos, alma e coração incluídos, para que nos olhem e critiquem, que nos magoem.

 

 Por isso a luz apagada, medo. Medo instantâneo da recusa, da repulsa, da forma como nos olham e nos catalogam sem que o que somos venha ao de cima, apenas a pele, mais ou menos, a pele a ditar a opinião formada.

 

  Sem roupa somos caules ao vento, indefesos e sensíveis. Á chuva das palavras de outrém, boas e más, a apanhar gotas de alegria e tristeza.

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