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L.C. Ferreira Word

Porque tudo o que conheço não chega, porque nunca direi vezes suficientes e porque sim...

L.C. Ferreira Word

Porque tudo o que conheço não chega, porque nunca direi vezes suficientes e porque sim...

Arrependo-me Mais do Que Não Amei

por lcferreira, em 12.07.11

 

 Tenho um choro guardado dentro de mim que é para ti. Tu, que não terias vindo para me magoar, provaste ser mais um motivo de dor na minha vida. A idade não desculpa, nada desculpa que me tentes e me largues sem mais não. Eu confiei em ti.

 

 Enganei-me.

O Amor Não é Coerente

por lcferreira, em 12.07.11

 

 Sou estúpida e parva e grito e digo asneiras.
 Sou terna e amorosa e faço tudo quanto queres.
 Menos resignar-me e deixar cair a imensa falta de tacto com que me tacteias nuns dias.
 Sou tua e isso pôe-te num lugar confortável de onde não queres sair, nem que seja para fazeres valer o estatuto.
 És uma besta com um b muito maiúsculo e não me ligas patavina dias inteiros por saberes que ainda assim, estou lá, sou tua.
 E a culpa é minha por te deixar ser assim e te dar a segurança do meu regaço e do calor do meu amor que correu atrás do teu para o aninhar nele.
 A culpa é tua por seres assim e não te esmerares para mudar por mim e por nós e esperares que eu faça tudo e tudo se resolva por si só sem que tenhas que lutar por isso.
 Sim, sou estúpida e parva mas dou-te todo o meu amor e provo-to e mostro-to e tento falar contigo para se dar uma solução às coisas, às  nossas coisas e tento e tento e tento outra vez.
 O quê que tu fazes?
 Aturares-me apenas, apesar de difícil não é suficiente, eu também te aturo e as bases de uma relação não se medem pela capacidade de aturar o outro.
 Sou tua, tão tua que mete nojo, o medo de te perder é palpável e tu sabe-lo, parece que te aproveitas disso vez em quando.

 

 Durmo, o zumbido no meu ouvido estraga o que é de bom guardar, os cheiros e as flores que os sonhos negros engoliram. O céu é uma sombra sobre as árvores nuas. Vou adormecer com elas.

 

 Tenho saudades tuas.

 

 

 

Enquanto a Noite Cái sem Rendição

por lcferreira, em 08.07.11

 

 Perdoa-me, se conseguires.

 

 Perdoa que eu sinta e te inunde os ouvidos com o clamor desse sentir cego e sem botão de mute.

 Perdoa que chore como se não houvera amanhã e parta pratos e todas essas outras coisas emocionais, a teu ver, desnecessárias ao nosso viver.

 Perdoa que te queire mesmo com defeitos, numa esperança casta que este amor te ensine a dar por dar, a dar por receber, a dar.

 Perdoa que tenha esperança e fé que não no Deus que admiras, mas em pessoas normais, a viver as suas vidas com devoção suficiente pelo coração de cada um.

 Perdoa que não reze como tu, que eu rezo cantando a música que me toque ao peito e me dê alento.

 Perdoa que goste de pessoas mesmo que não goste de todas e lhes responda tudo quanto a minha mente intenta, sem olhar ao decoro e à hipocrisia com que achas que o mundo merece ser tratado.

 

 Perdoa que não ligue a estereótipos fracos e sem razão, que queira e viva como me convèm, que acredite que a beleza e a fealdade dos seres está por dentro e nunca à superfície deles.

 

 

 Mas perdoa especialmente que te ame, que te tenha este amor grande e palerma, sem regras, cheio de 8's e de 80's, este amor que me deixa as veias do coração a bombear sangue que nem loucas, que me deixa louca. Perdoa que queira estar no teu regaço durante horas a fio e que te peça para me levares contigo a ver o mundo e suas cores, que a tua presença é-me vital e mortífera.

 

 Ser tua e de não outro, é tudo por quanto posso pedir perdão.

 

 

Divagações de um Ser Ausente de Si

por lcferreira, em 08.07.11

 

 É tarde. A noite está cerrada e vestida de um luto que dói.

 

 Quisera-te aqui a amenizar a crescente provação dos dias lentos e quentes. Este Inferno meu, sem ti.

 

 É de oiro e prata este penar soluçante que se pendura na garganta fechada e seca de onde não saem poemas de amor.

 

 Dói-me o peito e o ar falta-me, faltas tu e teu cheiro a suor que se entranha na carne, teu sorriso patético e sem vontade. Oh!, que angústia esta que me assola e dá de beber amargo trago sem pejo! Que miséria de espírito me assalta e me rende, me leva a melhor através do cansaço de te tentar ensinar a perceber a dor que causas. Todo o corpo me dói e se verga à vontade do sofrer molhado das faces ruborizadas.

 

 Eu não sou mais eu. Sem ti eu sou nada, contigo nem sei. Não sou eu de maneira alguma, deixei-me enredar em ti e nos teus modos grosseiros e já me esqueci de ser eu.

 

 Não me conheces. Achas que sim mas enganas-te. Não, não é possível que me conheças. Eu não me conheço.

 

 Sou uma mancha branca que se move e respira em silêncio, sou pouco mais que a sombra que largas em qualquer lugar, sou a loucura de viver para amar.

 

 Ou era.

 

 

Far Away

por lcferreira, em 04.07.11

 

 Eu sei que te pedi para não vires.

 Mas devias ter vindo.

 Devias ter fincado o pé e lutado pela minha presença física no teu viver.

 

 Estás longe e frio, onde não te posso tocar nem olhar.

 

 Resta-me a solidão de um amor que sobrevive às investidas dos erros e das palavras cruas.

 

 

Não Olhes Para Trás

por lcferreira, em 04.06.11

 Não voltes, não voltes. Não me dês esperança nem ânsia. Não voltes as costas, não olhes para trás.

 Deixaste-me aqui, no frio escuro da noite estrelada, sem ti, quase sem mim mesma. Abandonaste-me, sem pejo nem arrependimento, porque os hás-de ter agora?... Não, não voltes. Não quero mais desse amor disfarçado, dessa dor enunciada, desse chorar que não se cala.

 

 Foste e eu, sozinha na penumbra de mim, içei-me do buraco negro do teu legado, fiquei em pé, por mim.

 Agora que te dás conta dos erros do teu julgar, do rumo das tuas escolhas insensatas, acreditas que ainda sou tua, que esperei por ti.

 

 Não sou mais tua, sou minha, sou desta noite a que me entregaste, não voltes. Não sejas mais o vilão, o mau senhor, basta que não voltes.

 

 Dei-te o que sabia, o que tinha, o que não podia. E tu partiste. Não voltes, o que era de ti, já se foi.

 

 

No Me Olvides

por lcferreira, em 02.06.11

 Quando eu partir, na madrugada da mudança, levo-te comigo, a aquecer-me a existência.

 

 Foste a minha companhia inesperada e surpreendente, uma lufada de ar fresco no meio do bafo quente destes dias infernais.

 Quando eu me for, verás que não fui, que vou deixar-te recados sempre que possível, que vou querer saber novas das tuas aventuras, que vou ser tudo o que conheces.

 

 Não olhes para mim com esse modo revoltado, percebe que a mudança é precisa e válida, que a vida dá sempre uma maneira de nada se perder, quando é o que queremos.

 

 Não, não te esqueças de mim. Eu sei que não me vou esquecer de ti.

 

 

Utopia

por lcferreira, em 30.05.11

 Nasceu, mais uma das manhãs ensandecidas da Babilónia, mais um remoinho de vida mal composta, suja e imoral. Despontou na ombreira da janela, causta e inquieta, não adivinha de si o que trás. Alvorada rubra e raiosa, louca e perversa.

 

 Na Babilónia dos cheiros partidos, os homens e as mulheres não são uns dos outros, são unos uns com os outros, numa montanha de carne de todas as cores. Lá, o amor tem sabor de uns e outros, tem nome deles todos, uma amálgama de sentires em uníssono. Sem juízos de valor, sem mal dizeres ou rotulações.

 

 Daqui, de fora dos portões dessa Babilónia medieval, o dia amanhece como outro qualquer, puro e impenetrável. Repleto de mesquinhez e maldade gratuita, de extintores arremessados sem porquê. Aqui, onde a guilhotina enferrujou e a lei mudou, os mancebos e párias tomaram o mundo e fazem dele o que lhes convém, perante a conivência dos nossos líderes.

 

 Deixem-me escapar destes vales repletos de sombras e vultos escondidos na mentalidade da alcateia dos covardes. Deixem-me entrar pelos portões dourados da fantasia, essa Babiilónia que não julga, que não impele a força do que quer, que deixa viver, que deixa amar, ou não, sem quaisquer entraves. Deixem-me sentir o gosto da terra e da água, do suor e do sangue. Deixem-me sorrir e chorar, sem parecer tola ou fraca.

 

 Quero evadir-me desta realidade feia e decrépita dos dias.

 

 

Sons de Amor em Mãos de Água

por lcferreira, em 27.05.11

 Palavras, é o que são, meros sons que se soltam da boca e se vão poisar em teus ouvidos. Palavras empinadas umas nas outras, sem saber onde se enfiar, tamanho o tamanho e peso de cada uma. Palavras tiradas à força, sem dó, sem piedade, e que piedade haverá na descrição do volume de um peito aberto em mãos tuas?...

 

 Palavras a rasgar o breu silêncio a que as boas maneiras vetaram a vontade de gritar, essa vontade que ferve e queima e arranca pele, qual é a intensidade do seu sentimento agreste. Palavras caladas, mudas e surdas, fingidas, singelas, palavras de Amor.

 

 Palavras penduradas no ar, promessas de dias de um tempo melhorado, confidências do mais íntimo e intimorato dos sangues. Palavras que dizem tudo, que deixam tudo por dizer, palavras de paz e de guerra, escritas nos olhos de quem as diz e de quem as cala.

 

 Palavras...para quê?...

 

 Para saberes e não te esconderes nessa capa de sol apagado com que miras a vida passar. Para que aprendas que os sentimentos se revoltam mesmo que lhes digas que não podem. Para veres o efeito que têm quando ditas com emoção explícita e desembaraçada.

 

 São apenas palavras. Saíram de mim, foram endereçadas a ti, por entre um chorar sem razão aparente. Ter-se-ão perdido? Diz-me que não.

 

 Com uma mão cheia de palavras.

 

 

O Amor tem Tardes de Sofrimento Profundo

por lcferreira, em 25.05.11

 Esperei por ti toda a vida nesta tarde que se acabou. Esperei e desesperei de cega que estava pelo sol sufocante que não arredava pé.

 

 Esperei, estátua humana do amor que sinto, do amor que tenho para ti. Quando a tarde se findou e a noite deu de si, eu continuei à espera, em lágrimas, esperei. Quando o céu ardeu e a lua se fez rainha, a esperança que detinha no meu peito, foi morrer no sal do meu olhar, a olhar o horizonte da estrada por onde devias chegar.

 

 Não consigo deixar de esperar, ainda agora, que já deixei a varanda de madeira onde calquei os pés desnudos nessa tua espera infrutífera, ainda espero, mesmo descrente, mesmo sem fé, ainda espero, ainda amo. Daria a vida inteira, essa que gastei no soalho gasto, para entender o que te move e o que não. Quem és tu para me fazer esperar, em angustiante sentimento, no fim do mundo dos outros, envolta em tristeza e abandono, a chorar? Quem és, inconsciente amante que não dás sinal de vida, que não mandas mensageiros com novas de ti?

 

 As naus saíram do porto e foram encontrar os rochedos de fel. Estarias numa delas? Serias tão pouco homem que preferiste fugir deste amor que fizemos nas margens do rio? Talvez nem sequer tenhas ido, embriagado da covardia do não entendimento do sentir, embriagado num canto recôndito e obscuro desta metrópole que nos assalta e engole...

 

 Oh!, que eu esperei tanto por ti, por nós. E o sol brilhou e desapareceu e tu não vieste tirar-me do varandim sujo e descolorado. E eu ainda espero, tão longe que fui pousar, ainda espero pelo encontro do teu olhar, a fitar o meu, a dar-me de beber o amor que não aprendeste a controlar. Ainda espero, tola que sou, apaixonada que estou, espero e desespero, calada, numa ânsia surda e fria, espero. Com tudo o que tenho, sem medo de falhar, sem problemas se falhar, a tentar, espero. Quase sem ar, não vá perder a tua chegada por respirar alto demais. Tola, na espera de ti.

 

 

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