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L.C. Ferreira Word

Porque tudo o que conheço não chega, porque nunca direi vezes suficientes e porque sim...

L.C. Ferreira Word

Porque tudo o que conheço não chega, porque nunca direi vezes suficientes e porque sim...

Em Nome do Amanhã, do Meu Amanhã

por lcferreira, em 12.12.10

 Virei costas e dei de caras com o amanhã prometido, ele em toda eu, eu por ele renovada.

 Cansei de esperar em silêncio pelas benesses que trazem os frutos do trabalho árduo. Fadas, contos, promessas vâs e relegadas.

 

 Corto as amarras, nos pés e na voz, soará por todo o reino, o som grave dos meus passos firmes, das minhas palavras mal medidas embora sentidas. Parei de usar a razão e dei o medo de falhar por esgotado.

 

 Sou eu que vou aqui, como sempre fui, mais de mim do que de meus pais, saí a mim mesma e orgulho-me.

 E embora a vida tenha dito tantas vezes para me alterar ao sabor das massas, eu olhei para ela de frente e disse ''não''.

 São meus pés, descalços e calejados, minhas mãos secas, minha voz, meus olhos, meu coração, e todos eles dizem o mesmo.

 

 Mudar por mim, sim. Pelos outros, nunca, nunca mais...

 

 

 Sou um bicho, eu sei. Um bicho que sente ampificado como não outro bicho. Um bicho normal, que chora porque não sabe evitar, que ri só quando tem vontade. Sem jogos, um bicho despido de tão transparente que é. Um bicho solitário como o caminho para a verdade se mostra sempre.

 

 No meu próprio caminho, de pés descalços pelas dunas do amanhã.

O Amor tem uma Estrada que se Acaba

por lcferreira, em 08.12.10

 Quero ligar-te, dizer-te olá. Escapar-me dos dias e ir ao teu encontro. Fugir, quero fugir das dores da cidade e adormecer nas ondas da tua praia. Banhar-me nos teus braços de carinho e nas palavras gentis, quero o teu toque, o sentir do teu beijo, quero-te.

 

 Quero-te por todas as razões erradas. Quero-te por tudo o que que podes dar a sentir, não é mesmo a ti que quero, não é por Amor ou tresloucado devaneio. Quero-te exactamente por não te amar, o Amor torna tudo tão mais complicado. Aquele que deveria ser o maior e melhor dos sentires, faz o coração nublado. Ele vem e arrasta-nos consigo por estradas desconhecidas e duvidosas, umas tornam-se um caminho, outras são declives fatais.

 

 Por isso te quero agora, quero sair de onde a estrada acabou e eu estagnei, sem saber se pulo ou se volto para trás, não vejo nada, estou onde o Amor me largou á deriva.

 

 Fugir da complicação e fazer das escolhas um caminho simples, só por escassos segundos térreos. É para o que te quero.

 

 Olá...

Ode da Alma

por lcferreira, em 08.12.10

 Alma viajante, sonhadora. Almejas mais do que o de ti esperado. Alma escura e sombria, depressiva, devassa. Alma sem alforria, prisioneira do sentir e do querer.

 

 Tu que te empinas quando te sentes não vista. Tu que gritas e chutas quando é a injustiça que bate á tua porta. Que choras e soluças por amor e dor. Que me guias e me levas pelo braço, tantas vezes por caminhos errados. Tu em mim e eu tua.

 

 Alma minha. Ora um arco-íris, ora de negritude vestida, luz e escuridão por mim adentro. Carimbada com uma aura que não se vê e não se explica.

 Das calçadas, das esquinas, dos trovadores idos e das lavadeiras de ontem, é pedaço deles também. Lusa, tão Lusa e tão pouco...

 Apaixonada, descrente, triste, sofrida, esperançosa, doente, pura, conspurcada, louca, sã...

 

 Alma, és todo um mundo dentro da minha pele e do meu sangue.

 

 

Uma Janela é mais do que uma Janela

por lcferreira, em 04.10.10

 Pela janela mal aberta e pelas frestas de um estore corrido, chegou um cheiro de mar através do som de uma gaivota, asas que batem e cantam as odes das águas de um Tejo que nasce e morre nos fados queimados dos corações das gentes.

 Magia e saudade, misto de emoções que brotam e desaguam noites e dias afora.

 Feridas as noites, roucos os dias.

 

 A janela caiu de frente para as margens desse eterno amante de Lisboa, cacos do meu fado taciturno. Mistérios contados e recontados, desmistificados, eu exposta em rimas e traquejos de uma voz que dita o que sou e não sou eu que a tenho.

 

 O rio galgou o passeio, veio buscar os cacos que eram dele também, foi-se a janela de vez, calou-se o fado.

 

 Sem fado, sem a lembrança dos meus desamores, dos infundados medos e das notas graves, fico eu, sozinha em mim e no futuro de mim. Sem janela para me resguardar do mundo grande, feio e mau, sem protecção.

 

 Sou tudo o que tenho para dar, chegando ou não, sou mais do que seria se não tivesse um Fado em qualquer altura da minha vida.

Detrás da Neblina, Por entre o Nevoeiro

por lcferreira, em 19.09.10

 Pudesse eu ver por entre a neblina das gentes e o nevoeiro das hipocrisias dessas gentes.

 Pudesse eu ver as planícies da fraternidade de outros tempos idos. As mãos unidas de pessoas diferentes, em nome do melhor mundo possível, em nome duma causa maior que as disputas fúteis que nos alimentam os dias. Em nome de todos, sem nomear destinatários.

 

 O caminho da esperança é baço, ingénuo até. É desprovido de maneirismos ou artefactos, vinca-se nos factos para os quais é necessária e urgente a acção. É política, sendo que tudo é política hoje em dia, mas sem que se corrompa ou venda. É, além de querer, fazer por que amanhã seja um amanhecer melhorado, justo. Ingenuidade e fé.

 

 Pudesse eu entranhar esses sentires nos homens de hoje e de amanhã, fazê-los sair da sua zona de conforto e levá-los para a zona de confronto, ensiná-los a reivindicar o seu direito legítimo de ter uma palavra a dizer sobre os seus futuros. A serem Che's contra Salazares em Armani, resultados da falência dos valores, ardilosos contadores de estórias longas que nada dizem. A serem donos de si, por entre a neblina.

 

 Algures, detrás daquelas nuvens que bloqueiam as vistas, há um sol e uma lua, prontos para brilhar nos olhos de quem se atreva a tal, há estrelas a piscar, pequenos pontos lá ao fundo, pequenos como nós vistos de lá do fundo. Ser pequeno não é desculpa para não brilhar.

 

As Palavras são o meu Contributo á Liberdade

por lcferreira, em 30.08.10

 Não digas isso, não é bonito.

 Não respondas mal aos teus pais.

 Não digas não ao chefe, ainda te despede.

 Não discutas com o teu homem, queres que te deixe?

 Não digas que não gostas de alguém, parece mal.

 

 Não, não, não...

 

 Por onde fica a liberdade da palavra com tanta amarra imposta? Com tamanho foco no receio de falar, que será do maior som que essa liberdade criou para se sentir no mundo?

 

 Sociedade hipócrita que assiste impávida a injustiças, cala-se conivente perante elas.

 Ensina-nos a dizer o que os demais querem que digamos mesmo que desprovido de honestidade. A obrigar-nos ao anonimato para expressar o que nos vem na alma. A atirar a Verdade para que seja subjugada ás vaidades alheias.

 

 A minha palavra é minha e não a deixo ser escravizada pela opinião doutrém que não eu. As palavras bonitas, os palavrões. Meus. As palavras doces e as cheias de raiva, aquelas que não trazem segundas intenções, honestas, cruas.

 Se eu ganhava mais fechando a boca? Tantas vezes... Mas isso não era verdadeiro para mim e ainda que me arrependa depois, não vou ser algo manufacturado para prazer da plateia. Ser um fantoche não é meu dream job.

 

 Palavras. São o que tenho, sentimentos expressados numa folha virtual. Pedaços de mim. Como renegá-los? Como afogá-los ou escondê-los? E porquê? Não! Com tudo o que isso acarreta.

Sôfrego o Beijo de um Amante Ido

por lcferreira, em 26.08.10

 Beijavas-me de forma quase desesperada, não fosse o nosso tempo na terra acabar. Lembrei-me, lembrei-me dos cheiros e do teu toque por mim acima e abaixo, lembrei-me.

 Ah, o piso térreo onde me aninhei a ti e te olhei dormindo, qual menino nos meus braços. O teu fogo jovem e sorriso acanhado foram o epicentro do meu mundo por tantas noites em branco, que lhes perdi a conta. Amei-te com tal vontade e devoção, que não sei como não te  odeio por me teres abandonado à minha sorte.

 Será que te lembras, do mel das palavras que me dedicaste, ou esqueceste de tudo, agora que dás a mão a esse novo amor com que te passeias?...

 A mão, essa mesma mão que encontrou a minha por entre o barulho e a multidão das vozes enebriadas. Essa mão na minha cara, no meu pescoço, por todo o meu corpo...

 O teu beijo sôfrego e viciante, como nenhum que eu havia conhecido, não me esqueço... O beijo que me tremia as pernas e me esvaziava a mente adúltera, pecados e pecados sem vestígios de culpa.

 

 Lembrei-me de ti. Mesmo que já não te queira...

Vulto

por lcferreira, em 20.08.10

 Por entre a neblina duma manhã vazia, um sono que não se deu. Passos, tilintando no piso húmido, quase pedindo perdão pelo barulho causado. A sombra que anuncia o corpo cansado de um vagabundo da vida, um mensageiro de outrora.

 Tráz novas. Serão? A derradeira notícia do que ficou para trás de nós. Recordação afogada e esquecida. Memória de um eléctrico da cor do sol. Da escuridão dos dias obrigados a engolir o pó das surras. Um cinto, uma voz, tantas vozes, nada a que queira voltar, cheiros que não sei identificar.

 

 Vultos de nós. Todos os temos. Não nos deixemos guiar por eles.

Para Lá

por lcferreira, em 15.08.10

 Para lá de onde a vista alcança, ficam os dias que se perderam e os amores que morreram.

 Mãos de fadas, mãos de mel, cerdas dum qualquer pincel, para lá de onde a vista alcança.

 Lá, no buraco negro que todos os ontens pintaram, jaz morto, frio e mirrado, o amor deitado fora.

 Todo o amor não escolhido, aquele em que ninguém pegou, para lá de onde a vista alcança, esquecido e amontoado por entre dias queimados.

 

 Negro o rubro de outrora, doente o que já deu vida, amor sangrado e desprovido de si mesmo.

 Que nunca faças morrer, este que a ti te tenho, este amor escarlate não quer ser negro, para lá de onde a vista alcança.

Ode da Noite das Recordações

por lcferreira, em 14.08.10

 Noite quente e sem voz, noite de lua que se esconde no terraço do prédio mais alto da urbe. Noite de solitária espera e recordação.

 Recordo-me de ti e das palavras que as tuas mãos escreveram e de como me fizeram sentir, do cheiro que não senti, do toque de que me desprendi.

 O amor em jeito de não-amor, a platónica necessidade de ti.

 

 Foste um sonho que me aconteceu, levavas-me do centro do meu mundo rural e mostravas-me as maravilhas que as torres altas encobriam. Foste o horizonte do meu dia, palavras apenas. A noite trazia-te com um sorriso nos meus lábios. Que falta me fizeste! Quantas noites frias e sombrias passei eu, sem a luminosa presença de ti, sem a luz que fazias sair de mim própria.

 Recordo-me de ti. Onde cái agora a tua voz? Por onde espalhas esse teu suave toque de carinho?

 

 Amigos. Nunca os terei demais e nunca os poderei substituir.

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