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L.C. Ferreira Word

Porque tudo o que conheço não chega, porque nunca direi vezes suficientes e porque sim...

L.C. Ferreira Word

Porque tudo o que conheço não chega, porque nunca direi vezes suficientes e porque sim...

No Me Olvides

por lcferreira, em 02.06.11

 Quando eu partir, na madrugada da mudança, levo-te comigo, a aquecer-me a existência.

 

 Foste a minha companhia inesperada e surpreendente, uma lufada de ar fresco no meio do bafo quente destes dias infernais.

 Quando eu me for, verás que não fui, que vou deixar-te recados sempre que possível, que vou querer saber novas das tuas aventuras, que vou ser tudo o que conheces.

 

 Não olhes para mim com esse modo revoltado, percebe que a mudança é precisa e válida, que a vida dá sempre uma maneira de nada se perder, quando é o que queremos.

 

 Não, não te esqueças de mim. Eu sei que não me vou esquecer de ti.

 

 

Utopia

por lcferreira, em 30.05.11

 Nasceu, mais uma das manhãs ensandecidas da Babilónia, mais um remoinho de vida mal composta, suja e imoral. Despontou na ombreira da janela, causta e inquieta, não adivinha de si o que trás. Alvorada rubra e raiosa, louca e perversa.

 

 Na Babilónia dos cheiros partidos, os homens e as mulheres não são uns dos outros, são unos uns com os outros, numa montanha de carne de todas as cores. Lá, o amor tem sabor de uns e outros, tem nome deles todos, uma amálgama de sentires em uníssono. Sem juízos de valor, sem mal dizeres ou rotulações.

 

 Daqui, de fora dos portões dessa Babilónia medieval, o dia amanhece como outro qualquer, puro e impenetrável. Repleto de mesquinhez e maldade gratuita, de extintores arremessados sem porquê. Aqui, onde a guilhotina enferrujou e a lei mudou, os mancebos e párias tomaram o mundo e fazem dele o que lhes convém, perante a conivência dos nossos líderes.

 

 Deixem-me escapar destes vales repletos de sombras e vultos escondidos na mentalidade da alcateia dos covardes. Deixem-me entrar pelos portões dourados da fantasia, essa Babiilónia que não julga, que não impele a força do que quer, que deixa viver, que deixa amar, ou não, sem quaisquer entraves. Deixem-me sentir o gosto da terra e da água, do suor e do sangue. Deixem-me sorrir e chorar, sem parecer tola ou fraca.

 

 Quero evadir-me desta realidade feia e decrépita dos dias.

 

 

Sons de Amor em Mãos de Água

por lcferreira, em 27.05.11

 Palavras, é o que são, meros sons que se soltam da boca e se vão poisar em teus ouvidos. Palavras empinadas umas nas outras, sem saber onde se enfiar, tamanho o tamanho e peso de cada uma. Palavras tiradas à força, sem dó, sem piedade, e que piedade haverá na descrição do volume de um peito aberto em mãos tuas?...

 

 Palavras a rasgar o breu silêncio a que as boas maneiras vetaram a vontade de gritar, essa vontade que ferve e queima e arranca pele, qual é a intensidade do seu sentimento agreste. Palavras caladas, mudas e surdas, fingidas, singelas, palavras de Amor.

 

 Palavras penduradas no ar, promessas de dias de um tempo melhorado, confidências do mais íntimo e intimorato dos sangues. Palavras que dizem tudo, que deixam tudo por dizer, palavras de paz e de guerra, escritas nos olhos de quem as diz e de quem as cala.

 

 Palavras...para quê?...

 

 Para saberes e não te esconderes nessa capa de sol apagado com que miras a vida passar. Para que aprendas que os sentimentos se revoltam mesmo que lhes digas que não podem. Para veres o efeito que têm quando ditas com emoção explícita e desembaraçada.

 

 São apenas palavras. Saíram de mim, foram endereçadas a ti, por entre um chorar sem razão aparente. Ter-se-ão perdido? Diz-me que não.

 

 Com uma mão cheia de palavras.

 

 

O Amor tem Tardes de Sofrimento Profundo

por lcferreira, em 25.05.11

 Esperei por ti toda a vida nesta tarde que se acabou. Esperei e desesperei de cega que estava pelo sol sufocante que não arredava pé.

 

 Esperei, estátua humana do amor que sinto, do amor que tenho para ti. Quando a tarde se findou e a noite deu de si, eu continuei à espera, em lágrimas, esperei. Quando o céu ardeu e a lua se fez rainha, a esperança que detinha no meu peito, foi morrer no sal do meu olhar, a olhar o horizonte da estrada por onde devias chegar.

 

 Não consigo deixar de esperar, ainda agora, que já deixei a varanda de madeira onde calquei os pés desnudos nessa tua espera infrutífera, ainda espero, mesmo descrente, mesmo sem fé, ainda espero, ainda amo. Daria a vida inteira, essa que gastei no soalho gasto, para entender o que te move e o que não. Quem és tu para me fazer esperar, em angustiante sentimento, no fim do mundo dos outros, envolta em tristeza e abandono, a chorar? Quem és, inconsciente amante que não dás sinal de vida, que não mandas mensageiros com novas de ti?

 

 As naus saíram do porto e foram encontrar os rochedos de fel. Estarias numa delas? Serias tão pouco homem que preferiste fugir deste amor que fizemos nas margens do rio? Talvez nem sequer tenhas ido, embriagado da covardia do não entendimento do sentir, embriagado num canto recôndito e obscuro desta metrópole que nos assalta e engole...

 

 Oh!, que eu esperei tanto por ti, por nós. E o sol brilhou e desapareceu e tu não vieste tirar-me do varandim sujo e descolorado. E eu ainda espero, tão longe que fui pousar, ainda espero pelo encontro do teu olhar, a fitar o meu, a dar-me de beber o amor que não aprendeste a controlar. Ainda espero, tola que sou, apaixonada que estou, espero e desespero, calada, numa ânsia surda e fria, espero. Com tudo o que tenho, sem medo de falhar, sem problemas se falhar, a tentar, espero. Quase sem ar, não vá perder a tua chegada por respirar alto demais. Tola, na espera de ti.

 

 

A Vida tem Mais do que Parece

por lcferreira, em 23.05.11

 A solidão deu o nome aos homens, deu o seu ar aos seus olhos tristes e cansados, invadiu os seus corações e encheu-os de negritude.

 

 Os homens andam sozinhos, enclausurados em si mesmos, nas suas tarefas, nos seus temperamentos. Esquecem-se de formar laços, deixar o seu toque no corações de outrém, uns nunca aprenderam a fazê-lo.

 

 No meio da tristeza de não ter ninguém que os ame, tornam-se cínicos, mesquinhos, crianças abandonadas à sua sorte, sujas e descuidadas. Não entendem que a mudança vem de dentro deles, vem da sua vontade de abrir as portadas do peito e deixar alguém chegar perto.

 

 Os homens de hoje têm lacunas em Humanidade, em dar sem esperar contrapartidas, em ser e deixar ser felizes os demais.

 

 Vejo-os da minha janela, sentados à espera de alguém que não sabe que devia lá estar, a angustiar, a deixar que a solidão e seus mal-dizeres, regule a maneira com que olham o mundo. Não percebem que enquanto esperam, a vida vai e vem, passa e acaba. Enquanto nada fazem, tudo se finda e nada fica, nada deles fica, eremitas citadinos.

 

 A vida é curta demais para gastá-la sentado. Temos de nos levantar e ir ao seu encontro. Por nós.

 

 

Aos Amigos

por lcferreira, em 11.05.11

 Quando eu morrer e já nada de mim perdurar físico no mundo, quero viver no coração dos meus amores, na memória dos meus amigos.

 

 Quando me finar finalmente, em dor ou mesmo na tranquila paz, quero levar gravados nos olhos, os olhos das gentes da minha vida.

 A vida só tem sentido se houver quem a partilhe connosco, os altos dela, os baixos dela, dessa vida. Sem quem me acompanhe a jornada, quem sou eu, sozinha e infeliz? Sem quem me aponte o caminho, de mãos dadas, sem quem me faça rir, quem me faça chorar de tanto rir, a vida não tem cor nem sabor nem textura nem dá vontade de viver.

 

 Quando eu caminhar por esse Vale das Sombras da Morte, não vou ter medo, eu sei. Vou munida da luz que só uma vida com Amor pode dar, esse Amor que tem tantas faces e nomes, adjectivos e verbos. Vejo-o nos olhos dos meus amigos, esses que me ensinam e entendem, mesmo quando não aceitam, que me dão amparo quando lhes falta o deles. Esses são os pilares do meu viver, as forças que me impelam a sorrir, mesmo que seja o fim anunciado ou até a surpresa de não acordar.

 

 A eles, aos que contam, aos que passaram e se esvaneceram, aos que por aqui se encontram, aos que ainda não chegaram. A eles, deixo-lhes o mais devoto dos amores, a minha Amizade.

 

 

O Amor Precisa de Amor

por lcferreira, em 05.05.11

 Disse-lhe, com as palavras erradas, que não sucumbisse ao cansaço, à falta de tempo, à falta da materialização do amor. Disse-lho e ela, no meio da raiva que advém duma discussão, percebeu do seu jeito. Percebeu errado.

 

 Despoletou nela uma reacção adversa, cheia de ideias de um futuro, quando tudo o que ele queria, era assegurar mais um dia juntos. Ele pediu-lhe que lutasse, mesmo que parecesse não o querer, tão envolto em prioridades que a relegavam para último.

 

 Quando a explicação veio, ela chorou e chorou. Chorou mais, apercebendo-se de que, ultimamente, era essa a constante maior da sua vida. E o amor não deveria trazer tanta dor, tamanha expulsão de sal dos seus olhos castanhos. O amor era o maior dos dons, o melhor dos sentires. Mas não era isso que este amor lhe trazia. E ela falava em desistir.

 

 Foi pela noção dessa realidade que ele trocou as palavras e a magoou novamente, acto intencional ou não, era corriqueiro. Mas isso não criava nela o hábito de o sentir. Ela odiava ser magoada e culpava-se por amar um homem, que sim, também a amava, mas que se esquecia de o demonstrar, pois esperava que ela aguentasse até todas as contrariedades passarem. Mas depois de uma vencida, uma se lhe seguia, e era assim que ela vislumbrava o futuro, uma sucessão de coisas muito importantes que faziam com que ela parecesse insignificante.

 

 Não há nada de insignificante numa mulher que ama em pleno, que ama com o corpo todo, com o coração e alma abertos.

 Não há nada de insignificante em desmerecer e subvalorizar tamanha entrega.

 Não há nada de insignificante num toque que não se dá, por desculpas que não justificam a falta dele.

 

 Ele mudou de assunto. Ela calou o choro. O dia encontrou-os juntos, com um muro invisível entre os dois. E isso mudou o amor.

Queda do Amor

por lcferreira, em 04.05.11

 Todo o rosto estava coberto de sal. O coração minguado pela dor e desespero de se encontrar sozinho.

 

 No meio do vazio que a rodeava e engolia, ela levantou-se num silêncio sepulcral, de faces secas e enrugadas.

 Pé ante pé, como uma criança que aprende a andar, devagar, dirigiu-se à janela do quarto.

 

 Oh!, quanto amor vira fazer aquele quarto, físico e emocional. Quantas palavras de afecto e gestos romãnticos ali se deram, no meio dos lençóis e das almofadas. E agora...apenas a melancolia e o abandono vestiam as paredes sem quadros, a cama era a imagem king size da depressão, o amor tinha mudado de morada.

 

 A janela, que brindara esse amor acabado com raios de sol e olhares de prata, era o destino incontornável que ela escolhia.

 Ela escolheu. Escolheu a saída fácil, sabendo que difícil é estar vivo, aguentar os dias e as noites, tentar. Ela escolheu deixar de tentar, quis fugir permanentemente da dor. Abeirou-se do peitoral onde nunca houvera canteiros de flores e olhou para baixo.

 

 Lá em baixo, as pessoas andavam como se a dor dela não existisse, como se fosse certo que o amor dela a tivesse abandonado sem dó nem razão. Andavam felizes, sem se importarem que a felicidade lhe tivesse sido arrancada do peito.

 

 Fechou os olhos e inalou a humidade do dia.

 Enquanto expirava, em silêncio, deixou-se cair, descalça e livre.

Viver

por lcferreira, em 11.03.11

 

 

 Espuma debaixo dos pés, maresia que se espalha pelo ar, encontramo-nos nas rochas defronte para o ocaso.

 

 Sabes, viver é uma coisa complicada, tem tantas maneiras de ser dificultada, tantos entroncamentos...

 

 Precisamos uns dos outros para facilitá-la, torná-la mais alegre, mais sorridente. Precisamos de amor na nossa vida, para quando ela se findar, sabermos que vivemos, fomos amados, amámos, fomos felizes, vivemos.

 

 Mas somos teimosos, orgulhosos, preferimos gritar que não precisamos de ninguém, que estamos muito bem sozinhos, preferimo-lo a admitir, ainda que em surdina, que sozinhos não somos completos, sozinhos sem quem queira saber de nós, não somos muito. Muitas vezes, sozinhos não somos nada de nada.

 

 Quando é que a inesistência de afectos em público se tornou tão banal ou sem sentido, que é necessário escrevê-los para que sejam valorizados?

 

 Somos seres complicados a complicar demais o que é simples, a viver aflitos porque ninguém gosta de nós, quando temos tantos que gostam, sem perceber que o amor tem mil faces.

 

 Chegou a hora, as rochas espreitam os nossos beijos, o barco lá ao fundo desliza veloz. Deixa-me contar-te as minhas aventuras e canta-me as tuas...

Manhã é Quando o Coração Quiser

por lcferreira, em 12.12.10

 Manhã que se impera nos altos da mente, manhã que engole a escuridão e emerge indiferente ás vontades das gentes.

 

 Toca a alvorada, sopra a brisa que o mar salgou, manhã de novo nas mãos.

 Manhã que se aninha nos peitos dos amantes e se deixa por eles levar, até que a noite a venha render e se adormeçam todos os beijos.

 Manhã das promessas e das trovas, dos amores de soslaio, dos meninos castiços que lançam a bola de encontro aos estores.

 

 Manhã...

 

 Tanto sangue e suor por ela derramados, quanta lágrima e tamanho soluço escondidos nela.

  

 Vida que se levanta, quando a manhã desafia o breu das noites mal dormidas.

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