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L.C. Ferreira Word

Porque tudo o que conheço não chega, porque nunca direi vezes suficientes e porque sim...

L.C. Ferreira Word

Porque tudo o que conheço não chega, porque nunca direi vezes suficientes e porque sim...

Filiação não é nação

por lcferreira, em 01.04.14

Sabias de cor cada letra da minha história, dentro da que era tua. Saberias o meu nome?, as cores da minha alma? Quando a cortina se cerrou e a terra se abriu para te receber, saberias tu que eu era mais do que uma parte do teu legado, que era mais de mim do que alguma vez fora de ti, que os filhos e os pais não são mais do que nomes sem sentido se não lhes adicionares sentires? Forjei-me em fogo e força, suei para sair da tua sombra e quando me encontrei, tudo quanto queria era reconhecimento. Perdeste a luta, perdeste a guerra, que os cordões umbilicais não são nada sem sentires, os genes não são nada sem sentires. a puta da vida, se não a viveres com sentires e os direccionares para outros, será uma puta de uma vida vazia, feia e amarga. Eu não vou levar a minha vida com travo amargo pelos pecados que não cometi. Cometerei os meus próprios pecados e por eles pagarei. Pelos teus, paga tu ao barqueiro.

Entre( )Linhas e Pontos Finais

por lcferreira, em 27.09.11

 Eras tu ou era eu, que nos afundava a história e não deixava que ela se fizesse contar? Já não sei, já não me lembro, tenho nuvens nos olhos, tenho pedras no peito.

 

 Queria ter-te como nunca te tive, sentir-te como se não houvesse mundo à nossa espera, essa parafernália de cousas que temos para fazer, para desfazer, para agendar.

 Sinto-me um compromisso sem hora, um apontamento esborratado no calendário expirado, sem floridos, sem emoções.

 

 Se esta história não se perdura, não é por falta de Amor. Será por falta de quê, então?

 

 Não quero mudar mais, dar mais, dei que chegue, mudei bastante, que mais podes pedir?

 Tenho sangue quente nas veias, não me vou desculpar por tal.

 

 Não, não está a resultar. Nenhum de nós tem o que precisa, o que quer. E no entanto, amamo-nos.

 

 E eu não sei se consigo começar de novo.

 

 

As Time Will Teach You

por lcferreira, em 19.07.11

 

 Quando eu me for daqui, do meio desta casa bafienta e idosa, eu sei que não vais chorar.

 Vais, na tua imensurável crueldade comedida, sentir-te livre, vais achar que vais ficar melhor sem mim, sozinho.

 

 E durante um tempo, essa será a verdade.

 

 Mas quando esse estado de exaltação passar, vais dar-te conta que não encontrarás ninguém que te ame tanto quanto eu.

 E aí será tarde demais e esse vazio será a tua consolação.

 

 

Não Olhes Para Trás

por lcferreira, em 04.06.11

 Não voltes, não voltes. Não me dês esperança nem ânsia. Não voltes as costas, não olhes para trás.

 Deixaste-me aqui, no frio escuro da noite estrelada, sem ti, quase sem mim mesma. Abandonaste-me, sem pejo nem arrependimento, porque os hás-de ter agora?... Não, não voltes. Não quero mais desse amor disfarçado, dessa dor enunciada, desse chorar que não se cala.

 

 Foste e eu, sozinha na penumbra de mim, içei-me do buraco negro do teu legado, fiquei em pé, por mim.

 Agora que te dás conta dos erros do teu julgar, do rumo das tuas escolhas insensatas, acreditas que ainda sou tua, que esperei por ti.

 

 Não sou mais tua, sou minha, sou desta noite a que me entregaste, não voltes. Não sejas mais o vilão, o mau senhor, basta que não voltes.

 

 Dei-te o que sabia, o que tinha, o que não podia. E tu partiste. Não voltes, o que era de ti, já se foi.

 

 

Carta ao Amor

por lcferreira, em 12.05.11

 Querido Amor,

 

 Escrevo-te do mais íntimo do meu ser, da profundeza ambígua do meu coração, escrevo-te para te dizer "Adeus".

 

 Por anos, enquanto me davas a conhecer o teu rosto vil, não abdiquei da minha fé em ti, mesmo que fé não fosse o meu forte, não olhei a meios para te albergar em mim. E por entre ti e teus quereres, apaguei-me e esqueci-me de mim.

 

 De cada vez que me fizeste cair e jurar abandonar-te à tua sorte, encontraste maneira de te chegar ao meu peito e cantar-me ao ouvido. E depois de me enredares novamente em ti, falhaste-me, uma e outra vez. Por ti caí e em dor me levantei. Por ti vivi, por ti chorei, por ti o meu olhar brilhou, por ti e por teus modos me afoguei. Afoguei-me na ilusão idealista de ti, essa imagem branca e plena de ti, sem as sombras que tens, sem teus ares de crueldade infantil, pretenciosa.

 

 Amei-te com tudo o que tinha, mais o que não tinha, com esperança e violência, amei-te plenamente, sem saber do que eras feito.

 

 Agora, que te deixo para trás dos sonhos e das lágrimas, que te aceno e te entrego ao meu passado tenebroso, um peso se eleva dos meus ombros, se espalha pelo ar.

 

 Foste o dom mais precioso e a minha maior desilusão.

 

 Adeus.

Um Adeus é Sempre uma Perda

por lcferreira, em 20.03.11

 Ela partiu.

 Levantou-se por entre o bafio e o cheiro a tinta seca e saiu corredor fora, levando tudo com ela.

 Levou os livros, os das receitas que aprendeu para o agraciar e os das estórias que lhe deram alento quando ele lhe faltou em companhia.

 

 Levou os anos, guardou-os na alma, o que deles restava depois dele os gastar.

 Levou as lágrimas, todas elas, as de ontem e as que insistiam em cair agora que tudo se acabava.

 

 Levou o amor, trapo rasgado e queimado, outrora sadio e vivo, parecia ter sido noutra vida.

 

 Levou-se a si mesma por aquele corredor, o pouco que ainda de si reconhecia, e era pouco, de tão vazia que estava.

 Levou os sonhos, um a um, os dela e os que tinha sonhado para eles, esse eles que se extinguiu pela humidade dos dias.

 Levou os segredos que escondeu dele e os que sendo dele, escondeu de si em negação assumida.

 

 Tudo ela levou e tudo lhe pesou o corpo marcado, todavia, era um peso menor do que o que carregara enquanto fora dele.

 

 Deixou-o em silêncio, ele não fez caso, pensando talvez ser apenas mais uma cena dramática, uma como tantas outras em busca de atenção, da sua atenção. Ele, que tanto mais tinha para fazer ao invés de dar validação à alucinação recorrente dela.

 

 Ela conhecia-o bem, sabia que não a seguiria nem entraria em desespero aflito, sentir-se-ia livre, sem ao menos entender que de entre os dois, era ela a prisioneira. Retida na sombra do Amor e na promessa d'um Amanhã que não chegava, ora porque não era a hora, ora porque ela o pedia em demasia.

 

 Deixou as desculpas vãs, as palavras ocas, deixou-as para o confortarem durante a noite.

 

 Saiu.

 Um rasto de perfume foi tudo o que ficou no corredor lôbrego, por entre o bafio e a tinta seca.

 

 

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