Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

L.C. Ferreira Word

Porque tudo o que conheço não chega, porque nunca direi vezes suficientes e porque sim...

L.C. Ferreira Word

Porque tudo o que conheço não chega, porque nunca direi vezes suficientes e porque sim...

O Amor passou e o ser humano ruiu

por lcferreira, em 03.04.14

Era mais que um bafo no pescoço. Era mais que um longo e profundo suspiro. Era tanto quanto um passo que se perpetua na areia até a água o fazer esfumar por entre ela. Menos quente que o corpo, mais frio que o mar, era algo que se agarrava ao intimo do ser, um pedaço de cor sem matiz, uma sombra na córnea, uma picada no fundo das costas.

 

Mas depois ganhava peso, ganhava textura e ganhava voz. Vinha munida da força dos desalinhados amores e dos ternos ódios de estimação. Socava as paredes como se fossem punhos de um sopro de lobo mau, socava e socava, até vir toda a fundação abaixo, até nada mais haver que uma nefasta recordação de algo que nunca gerou cria.

 

As idas e as vindas fazem a vida ser mais e menos, fazem sabor e tiram fulgor. Mas faz parte de se ser um ser, dos que levam a vida na ponta do coração, navalha da língua em riste, vivo e morto nas batalhas perdidas e ganhas.

 

Aos Noivos

por lcferreira, em 11.06.11

 O amor é um dom maior que um apelido num papel. É ser o ombro mais forte de alguém, o porto mais seguro. Haja amor! Que ele se mostre e em vós se invada. Por muitos e bons anos...

A Cegueira do Coração faz Luto

por lcferreira, em 14.05.11

 Não desistas de mim.

 Era tudo o que conseguia dizer, tudo o que conseguia pensar. Não, mentira. Ele tinha passado a parte do simples pensar, tinha passado para a parte do pensamento obsessivo.

 Precisava dela e ela não estava, tinha partido. Tinha partido, assim como o avisara tantas vezes, vezes a que ele não dera importância.

 E agora, agora precisava dela, do seu olhar perscrutador e do som da sua voz. Precisava que o viesse salvar, dele mesmo, do seu jeito monótono de viver, da rotina dos dias e da solidão das noites. E ela não vinha, ela não estava mais ali, do lado dele, a olhar por ele, a dizer-lhe o que fazer, ela tinha partido.

 

 Quando? Quando partira ela, que ele, envolvido em si mesmo, não percebera que era a sério, que não voltaria mais? O que tinha sido o ponto maior, que ele não reparara, essa farpa que levara à separação do amor? Soubesse ele qual e não a teria atiçado.

 

 Agora, era tarde. Era?, pensava, cego pela falta que não imaginava que ela lhe fizesse.

 Talvez ainda o aceitasse, doido de dor como estava, corroído pelo vazio dela na sua vida. Sim, talvez seja possível, dizia para consigo.

 

 Correu, voaria se pudesse, foi-se quedar na porta dela.

 A pulmões cheios gritou: "Não desistas de mim!", gritou uma e outra vez, até ela vir espreitar à janela, a chorar.

 

 Ela não chorava como choram as mulheres quando os homens as surpreendem e emocionam, não, não era esse tipo de choro.

 Por entre as lágrimas, ele viu a dor tatuada nos seus olhos, viu-a tão viva que doía olhá-la directamente nos olhos. Não podia ser uma coisa nova, nada novo tem aquele aspecto, aquela dor fazia parte dela há muito tempo. E ele?, como não vira?, como não conseguira perceber que a infelicidade lhe estava a sugar a juventude? Tinha sido tão cego, tão ocupado e cego.

 

 Perdera-a. Conseguia vê-lo, por entre o choro enlutado dela.

 

 Caíu de joelhos no chão, num grito que a urbe abafou. Ela saiu da janela, ele morreu um pouco.

 

 E os dias não mais foram de sol.

 

 

O Amor Precisa de Amor

por lcferreira, em 05.05.11

 Disse-lhe, com as palavras erradas, que não sucumbisse ao cansaço, à falta de tempo, à falta da materialização do amor. Disse-lho e ela, no meio da raiva que advém duma discussão, percebeu do seu jeito. Percebeu errado.

 

 Despoletou nela uma reacção adversa, cheia de ideias de um futuro, quando tudo o que ele queria, era assegurar mais um dia juntos. Ele pediu-lhe que lutasse, mesmo que parecesse não o querer, tão envolto em prioridades que a relegavam para último.

 

 Quando a explicação veio, ela chorou e chorou. Chorou mais, apercebendo-se de que, ultimamente, era essa a constante maior da sua vida. E o amor não deveria trazer tanta dor, tamanha expulsão de sal dos seus olhos castanhos. O amor era o maior dos dons, o melhor dos sentires. Mas não era isso que este amor lhe trazia. E ela falava em desistir.

 

 Foi pela noção dessa realidade que ele trocou as palavras e a magoou novamente, acto intencional ou não, era corriqueiro. Mas isso não criava nela o hábito de o sentir. Ela odiava ser magoada e culpava-se por amar um homem, que sim, também a amava, mas que se esquecia de o demonstrar, pois esperava que ela aguentasse até todas as contrariedades passarem. Mas depois de uma vencida, uma se lhe seguia, e era assim que ela vislumbrava o futuro, uma sucessão de coisas muito importantes que faziam com que ela parecesse insignificante.

 

 Não há nada de insignificante numa mulher que ama em pleno, que ama com o corpo todo, com o coração e alma abertos.

 Não há nada de insignificante em desmerecer e subvalorizar tamanha entrega.

 Não há nada de insignificante num toque que não se dá, por desculpas que não justificam a falta dele.

 

 Ele mudou de assunto. Ela calou o choro. O dia encontrou-os juntos, com um muro invisível entre os dois. E isso mudou o amor.

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2013
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2012
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2011
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2010
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D