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L.C. Ferreira Word

Porque tudo o que conheço não chega, porque nunca direi vezes suficientes e porque sim...

L.C. Ferreira Word

Porque tudo o que conheço não chega, porque nunca direi vezes suficientes e porque sim...

A Vida tem Mais do que Parece

por lcferreira, em 23.05.11

 A solidão deu o nome aos homens, deu o seu ar aos seus olhos tristes e cansados, invadiu os seus corações e encheu-os de negritude.

 

 Os homens andam sozinhos, enclausurados em si mesmos, nas suas tarefas, nos seus temperamentos. Esquecem-se de formar laços, deixar o seu toque no corações de outrém, uns nunca aprenderam a fazê-lo.

 

 No meio da tristeza de não ter ninguém que os ame, tornam-se cínicos, mesquinhos, crianças abandonadas à sua sorte, sujas e descuidadas. Não entendem que a mudança vem de dentro deles, vem da sua vontade de abrir as portadas do peito e deixar alguém chegar perto.

 

 Os homens de hoje têm lacunas em Humanidade, em dar sem esperar contrapartidas, em ser e deixar ser felizes os demais.

 

 Vejo-os da minha janela, sentados à espera de alguém que não sabe que devia lá estar, a angustiar, a deixar que a solidão e seus mal-dizeres, regule a maneira com que olham o mundo. Não percebem que enquanto esperam, a vida vai e vem, passa e acaba. Enquanto nada fazem, tudo se finda e nada fica, nada deles fica, eremitas citadinos.

 

 A vida é curta demais para gastá-la sentado. Temos de nos levantar e ir ao seu encontro. Por nós.

 

 

Aos Amigos

por lcferreira, em 11.05.11

 Quando eu morrer e já nada de mim perdurar físico no mundo, quero viver no coração dos meus amores, na memória dos meus amigos.

 

 Quando me finar finalmente, em dor ou mesmo na tranquila paz, quero levar gravados nos olhos, os olhos das gentes da minha vida.

 A vida só tem sentido se houver quem a partilhe connosco, os altos dela, os baixos dela, dessa vida. Sem quem me acompanhe a jornada, quem sou eu, sozinha e infeliz? Sem quem me aponte o caminho, de mãos dadas, sem quem me faça rir, quem me faça chorar de tanto rir, a vida não tem cor nem sabor nem textura nem dá vontade de viver.

 

 Quando eu caminhar por esse Vale das Sombras da Morte, não vou ter medo, eu sei. Vou munida da luz que só uma vida com Amor pode dar, esse Amor que tem tantas faces e nomes, adjectivos e verbos. Vejo-o nos olhos dos meus amigos, esses que me ensinam e entendem, mesmo quando não aceitam, que me dão amparo quando lhes falta o deles. Esses são os pilares do meu viver, as forças que me impelam a sorrir, mesmo que seja o fim anunciado ou até a surpresa de não acordar.

 

 A eles, aos que contam, aos que passaram e se esvaneceram, aos que por aqui se encontram, aos que ainda não chegaram. A eles, deixo-lhes o mais devoto dos amores, a minha Amizade.

 

 

E o Mundo criou o Dinheiro para Alimentar a Solidão

por lcferreira, em 19.12.10

 O mundo mudou e as gentes do mundo mudaram com ele, por ele.

 As caravelas naufragaram por esses mares fora, são meras recordações de outro tempo.

 

 E as gentes, ai as gentes!...

 

 Sombras de quem foram, resíduos de humanidade apodrecida em si, magoadas sombras de sorrisos apagados.

 Vendidas e compradas sem pejo, sem olhar a meios, sem que se levante uma só voz a contrariar estes leilões de almas.

 

 EU... Eu tenho embaraço da roda que o mundo deu, tenho um revolver estomacal que não me deixa esquecer que o problema é a negação do problema.

 

 Tudo se vende e tudo se compra, não se olhando a vontades alheias, despojos de amor e de dor, em negociações de esquina onde nada se ganha e pouco se conquista.

 

 O mundo tem cores que o céu roubou e tem luzes que as estrelas invejam. Estão nos corações vendidos por migalhas das minhas gentes, estão nos seus olhos cansados. Nas mãos que a terra carcomeu, nos lábios que o vento cortou. Vendidos todos eles, tão singulares e cheios de estórias...

 

 As minhas gentes solitárias que se vendem por menos do que alguma vez sonhado, aflitas que estão por contacto humano, loucas gentes sem uma mão que em si se poise.

 

 Quem dá mais?!...

 

 

 

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