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L.C. Ferreira Word

Porque tudo o que conheço não chega, porque nunca direi vezes suficientes e porque sim...

L.C. Ferreira Word

Porque tudo o que conheço não chega, porque nunca direi vezes suficientes e porque sim...

Aos Amigos

por lcferreira, em 11.05.11

 Quando eu morrer e já nada de mim perdurar físico no mundo, quero viver no coração dos meus amores, na memória dos meus amigos.

 

 Quando me finar finalmente, em dor ou mesmo na tranquila paz, quero levar gravados nos olhos, os olhos das gentes da minha vida.

 A vida só tem sentido se houver quem a partilhe connosco, os altos dela, os baixos dela, dessa vida. Sem quem me acompanhe a jornada, quem sou eu, sozinha e infeliz? Sem quem me aponte o caminho, de mãos dadas, sem quem me faça rir, quem me faça chorar de tanto rir, a vida não tem cor nem sabor nem textura nem dá vontade de viver.

 

 Quando eu caminhar por esse Vale das Sombras da Morte, não vou ter medo, eu sei. Vou munida da luz que só uma vida com Amor pode dar, esse Amor que tem tantas faces e nomes, adjectivos e verbos. Vejo-o nos olhos dos meus amigos, esses que me ensinam e entendem, mesmo quando não aceitam, que me dão amparo quando lhes falta o deles. Esses são os pilares do meu viver, as forças que me impelam a sorrir, mesmo que seja o fim anunciado ou até a surpresa de não acordar.

 

 A eles, aos que contam, aos que passaram e se esvaneceram, aos que por aqui se encontram, aos que ainda não chegaram. A eles, deixo-lhes o mais devoto dos amores, a minha Amizade.

 

 

Queda do Amor

por lcferreira, em 04.05.11

 Todo o rosto estava coberto de sal. O coração minguado pela dor e desespero de se encontrar sozinho.

 

 No meio do vazio que a rodeava e engolia, ela levantou-se num silêncio sepulcral, de faces secas e enrugadas.

 Pé ante pé, como uma criança que aprende a andar, devagar, dirigiu-se à janela do quarto.

 

 Oh!, quanto amor vira fazer aquele quarto, físico e emocional. Quantas palavras de afecto e gestos romãnticos ali se deram, no meio dos lençóis e das almofadas. E agora...apenas a melancolia e o abandono vestiam as paredes sem quadros, a cama era a imagem king size da depressão, o amor tinha mudado de morada.

 

 A janela, que brindara esse amor acabado com raios de sol e olhares de prata, era o destino incontornável que ela escolhia.

 Ela escolheu. Escolheu a saída fácil, sabendo que difícil é estar vivo, aguentar os dias e as noites, tentar. Ela escolheu deixar de tentar, quis fugir permanentemente da dor. Abeirou-se do peitoral onde nunca houvera canteiros de flores e olhou para baixo.

 

 Lá em baixo, as pessoas andavam como se a dor dela não existisse, como se fosse certo que o amor dela a tivesse abandonado sem dó nem razão. Andavam felizes, sem se importarem que a felicidade lhe tivesse sido arrancada do peito.

 

 Fechou os olhos e inalou a humidade do dia.

 Enquanto expirava, em silêncio, deixou-se cair, descalça e livre.

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