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L.C. Ferreira Word

Porque tudo o que conheço não chega, porque nunca direi vezes suficientes e porque sim...

L.C. Ferreira Word

Porque tudo o que conheço não chega, porque nunca direi vezes suficientes e porque sim...

E O Dia Nasceu Sem Vida Ou Fui Eu Que Não Quis Saber

por lcferreira, em 08.11.11

 

 Esfumava-se por entre os cantos da memória, aquele cheiro, aquele bafo quente, todo e cada centímetro daquela pele agreste.

 Ia e voltava, como um fantasma regressa a casa ou um criminoso regressa ao local do crime. Voltava e era acolhido, ou não. Mas voltava na mesma, instalava-se supremamente no seu trono de preferência e sorria, como sorriem os gaiatos quando estão felizes e seguros.

 

 Essa segurança que era só dele, essa segurança do meu regaço que era só dele, era o que o fazia voltar, fosse dia ou noite, estivesse eu de acordo ou não. E mesmo que fosse de desacordo o meu olhar, ele fazia-me render aos seus intentos, naquele calor que vem de dentro das almas apaixonadas, cegas e sombrias. Sombrias sim, que é penoso amar, é duro e frio e tem linhas de dor em todo o seu redor. Mas vale a pena, toda e qualquer lágrima vale o seu peso em ouro por aquele segundo em que o mundo pára e se suspende e tudo é luz e alegria sincera.

 

 Ele voltava, envolto em nuvens de amor e desgraça, com a voz que me afugentava os pesadelos e me adormecia, que me fazia estremecer as pernas e as mãos, me suava o parte detrás do pescoço e deixava a minha própria voz com o seu timbre grave. E eu acostumava-me aos seus ares de um homem que sabia que era meu, que sabia que eu era dele, que sabia mais de mim que eu mesma sonhava ser.

 

 Ele levava-me ao céu e ao inferno de mim, dele também. Levava-me ao topo da serra e mostrava-me o mundo e o céu ao alcançe de um palmo, dava-me tudo o que tinha em si e eu era estrelas e lua e luzes da cidade em todo ele. E depois saía da minha vida novamente, sem bilhetes nem flores, sem recados ou palavras soltas. Largava-me no desespero de ser um vulto sem ele.

 

 Um dia quis retornar ao meu regaço, depois de deixar palavras nefastas escritas a sangue no meu peito.

 

 Mas há sempre uma altura em que o amor por nós se subrepôe ao medo de estarmos sós.

 

 E ele não voltou mais...

 

 

O Rosto de Fel era Jovem

por lcferreira, em 14.07.11

 

 Mudaste de um dia para o outro e eu percebi. Mesmo quando dizias que não, eu percebi. És uma coisa, não é possível que sejas humano. Não há pingo de humanidade no teu íntimo e pior, não te faz diferença. É essa a diferença entre nós, sou humana demais. Erro, oh se erro!, digo e faço coisas não entendidas ou mal interpretadas, sou assim. Não sou biónica, choro e grito e tenho ataques de histerismo, sou depressiva mesmo antes de ser moda sê-lo. E tu... meu amor que me disse amar e agora já não, tu és a face mais visível da crueldade que conheci ultimamente. Tão bonito e tão doce e tão arrebatador. Tão podre por dentro como nunca vi. Para ti é normal roubar um coração e dá-lo de comer aos mares. Para mim não. Amei-te.

 

 E agora já não.

 

 

Arrependo-me Mais do Que Não Amei

por lcferreira, em 12.07.11

 

 Tenho um choro guardado dentro de mim que é para ti. Tu, que não terias vindo para me magoar, provaste ser mais um motivo de dor na minha vida. A idade não desculpa, nada desculpa que me tentes e me largues sem mais não. Eu confiei em ti.

 

 Enganei-me.

Deixei o Amor Escrito

por lcferreira, em 10.03.11

 Percorri os cadernos antigos e lembrei-me do amor que lhe tinha. Todas as loucuras em nome desse sentir, todas as meias madrugadas passadas juntos, os olhares trocados em silêncio sepulcral, não fosse alguém reparar.

 

 Olhei para ele, anos que se passaram depois de encher as páginas dos meus cadernos com declarações de amor, com indignações, com revoltas e reviravoltas, com esperança, nele, por ele, por nós, em nós.

 Olhei-o. Tão mais velho do que é, vincou o tempo com força o rosto que os olhos azuis fazem brilhar. Faziam.

 Não brilha como brilhava, na excitação de um acto proibido, altas horas da manhã. Não sorri como sorria, quando o enchia de carinho desprovido de futilidade.

 

 Olho-o nos olhos e recordo-me de o ter amado tão sofregamente que mal respirava quando finalmente o tinha comigo. Recordo-me de um menino com ares de homem, a quem bastava um afago para acalmar o temperamento difícil. Recordo, ao olhá-lo directamente nos olhos, das noites solitárias e das lágrimas que as acompanhavam, quando a resposta não vinha e o tempo passava e se acabava. Lembro-me da irracionalidade com que se afastou, com que me afastou, sem um adeus, sem um porquê. Lembro-me da dor aguda, quando o ar me faltava entre soluços constantes.

 

 Será que ele sabe o tamanho do amor que perdeu, envolto nos seus fantasmas e negativismo? Será que pensa o quão estupidamente tolo foi, a afastar uma mulher que estava disposta a aceitá-lo com todos os seus defeitos e imperfeições? Será que tem noção?...

 

 Não o quero de volta, segui em frente. Deixei-o dentro dos meus cadernos e das minhas recordações de amor de um ontem qualquer. Mas sou assim, tenho pena de todo o amor desperdiçado, este é um.

 

 

 

 Sempre amei com o coração por inteiro, com a alma nua e com o corpo quente. Não sei ser doutra maneira, não quero. Não quero olhos de cinismo puro, a adivinhar desgraças por trás de actos desprovidos de maldade. Não quero ser fria em contacto com as dores ou com as lágrimas, as minhas e as dos demais. Renego ser da fornada dos apaixonados descartáveis, os que usam as cores do amor para seu único proveito, sem fazer prisioneiros, sem olhar a meios.

 

 

 O amor é uma coisa muito séria e bonita para se maltratar e deitar fora quando não mais for útil. O fim deste amor foi assim, um desmérito à sua grandeza.

 

 Ficaram os cadernos carregados de palavras e sentimentos, janelas de outrora.

 

 

Sôfrego o Beijo de um Amante Ido

por lcferreira, em 26.08.10

 Beijavas-me de forma quase desesperada, não fosse o nosso tempo na terra acabar. Lembrei-me, lembrei-me dos cheiros e do teu toque por mim acima e abaixo, lembrei-me.

 Ah, o piso térreo onde me aninhei a ti e te olhei dormindo, qual menino nos meus braços. O teu fogo jovem e sorriso acanhado foram o epicentro do meu mundo por tantas noites em branco, que lhes perdi a conta. Amei-te com tal vontade e devoção, que não sei como não te  odeio por me teres abandonado à minha sorte.

 Será que te lembras, do mel das palavras que me dedicaste, ou esqueceste de tudo, agora que dás a mão a esse novo amor com que te passeias?...

 A mão, essa mesma mão que encontrou a minha por entre o barulho e a multidão das vozes enebriadas. Essa mão na minha cara, no meu pescoço, por todo o meu corpo...

 O teu beijo sôfrego e viciante, como nenhum que eu havia conhecido, não me esqueço... O beijo que me tremia as pernas e me esvaziava a mente adúltera, pecados e pecados sem vestígios de culpa.

 

 Lembrei-me de ti. Mesmo que já não te queira...

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