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L.C. Ferreira Word

Porque tudo o que conheço não chega, porque nunca direi vezes suficientes e porque sim...

L.C. Ferreira Word

Porque tudo o que conheço não chega, porque nunca direi vezes suficientes e porque sim...

A Rosa era feita de Espinhos

por lcferreira, em 07.03.11

 

 Eram espinhos, na minha voz, nas minhas mãos, espinhos por mim adentro e por mim afora.

 

 Foram tempos tempestuosos, escuros, o tipo de tempo que não se escolhe nem se prevê. Tempos de um amor que se perdeu por entre a nudez da maldade de um homem...

  Dias de guerra e noites aflitas, suspiros e gritos, silêncio da razão. Por entre os destroços e as ruí­nas de um sentimento afogado, tudo o que ficou de pé, foi parco e fraco, pequeno. Foi do meio dessa fealdade e desse sabor a fel que renasci...

 

 Esses espinhos, essas dores, esse desamor tão grande e violento, fizeram de mim quem sou, para o melhor e para o pior.

 

 Não sou um sol radiante, tenho sombras no rosto.

 Não sou uma melodia de fundo, tenho fados na lí­ngua.

 Não sou igual a todas, sou one in a million.

 

 Sou eu em pleno direito, forjada pelas cruzes carregadas, marcada por elas, não mais escrava delas. Fazem parte de mim, da história que vou deixar quando me for, pedaços apenas, tenho muito mais para escrever no livro da minha vida.

 

 Eram espinhos. Estavam por todo o lado, dormiam e acordavam comigo. Já lá vão, não magoam como magoavam, não sangram como sangravam.

 

 O tempo é ventoso, é verdade. Mas a tempestade passou, o sol nasceu e a vida encontrou uma maneira de seguir em frente.

 

 Guardei os espinhos para me lembrarem do breu e do que foi preciso para dele fugir. Para poder renascer e viver.

 

Uma Janela é mais do que uma Janela

por lcferreira, em 04.10.10

 Pela janela mal aberta e pelas frestas de um estore corrido, chegou um cheiro de mar através do som de uma gaivota, asas que batem e cantam as odes das águas de um Tejo que nasce e morre nos fados queimados dos corações das gentes.

 Magia e saudade, misto de emoções que brotam e desaguam noites e dias afora.

 Feridas as noites, roucos os dias.

 

 A janela caiu de frente para as margens desse eterno amante de Lisboa, cacos do meu fado taciturno. Mistérios contados e recontados, desmistificados, eu exposta em rimas e traquejos de uma voz que dita o que sou e não sou eu que a tenho.

 

 O rio galgou o passeio, veio buscar os cacos que eram dele também, foi-se a janela de vez, calou-se o fado.

 

 Sem fado, sem a lembrança dos meus desamores, dos infundados medos e das notas graves, fico eu, sozinha em mim e no futuro de mim. Sem janela para me resguardar do mundo grande, feio e mau, sem protecção.

 

 Sou tudo o que tenho para dar, chegando ou não, sou mais do que seria se não tivesse um Fado em qualquer altura da minha vida.

Sôfrego o Beijo de um Amante Ido

por lcferreira, em 26.08.10

 Beijavas-me de forma quase desesperada, não fosse o nosso tempo na terra acabar. Lembrei-me, lembrei-me dos cheiros e do teu toque por mim acima e abaixo, lembrei-me.

 Ah, o piso térreo onde me aninhei a ti e te olhei dormindo, qual menino nos meus braços. O teu fogo jovem e sorriso acanhado foram o epicentro do meu mundo por tantas noites em branco, que lhes perdi a conta. Amei-te com tal vontade e devoção, que não sei como não te  odeio por me teres abandonado à minha sorte.

 Será que te lembras, do mel das palavras que me dedicaste, ou esqueceste de tudo, agora que dás a mão a esse novo amor com que te passeias?...

 A mão, essa mesma mão que encontrou a minha por entre o barulho e a multidão das vozes enebriadas. Essa mão na minha cara, no meu pescoço, por todo o meu corpo...

 O teu beijo sôfrego e viciante, como nenhum que eu havia conhecido, não me esqueço... O beijo que me tremia as pernas e me esvaziava a mente adúltera, pecados e pecados sem vestígios de culpa.

 

 Lembrei-me de ti. Mesmo que já não te queira...

Vulto

por lcferreira, em 20.08.10

 Por entre a neblina duma manhã vazia, um sono que não se deu. Passos, tilintando no piso húmido, quase pedindo perdão pelo barulho causado. A sombra que anuncia o corpo cansado de um vagabundo da vida, um mensageiro de outrora.

 Tráz novas. Serão? A derradeira notícia do que ficou para trás de nós. Recordação afogada e esquecida. Memória de um eléctrico da cor do sol. Da escuridão dos dias obrigados a engolir o pó das surras. Um cinto, uma voz, tantas vozes, nada a que queira voltar, cheiros que não sei identificar.

 

 Vultos de nós. Todos os temos. Não nos deixemos guiar por eles.

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