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L.C. Ferreira Word

Porque tudo o que conheço não chega, porque nunca direi vezes suficientes e porque sim...

L.C. Ferreira Word

Porque tudo o que conheço não chega, porque nunca direi vezes suficientes e porque sim...

Até Casa

por lcferreira, em 09.03.11

 Abro os olhos e vejo.

 Vejo os vultos das árvores a tapar as luzes que a cidade impõe. Os vermelhos que se tornam verdes, as pessoas aflitas na pressa de chegarem a tempo e o fumo de escape que deixam para trás. Vejo o rio vestido de breu, a cintilar nas margens da cidade que deixo e da cidade que me recebe, os barcos que se aventuram por esse rio dentro.

 Vejo as capelas vazias, os castelos abandonados e as hortas adubadas. As estrelas tapadas e a Lua escondida, não vejo mas sei que estão lá, por trás das nuvens carregadas.

 Vejo as fontes de águas paradas e a estagnação dos telhados, os esqueletos das casas caídas, os grafítis por aqui e ali.

 Vejo o ar pesado dos sonhos falidos dos outros, dos meus também. E choro, vendida à realidade dura. Choro e ninguém se apercebe, neste comboio azul e branco, ponte ágil entre margens.

 

 Choro de olhos abertos, a não deixar escapar cada pedaço desta vista esplendorosa, silenciosa. Choro porque estou em casa.

Uma Janela é mais do que uma Janela

por lcferreira, em 04.10.10

 Pela janela mal aberta e pelas frestas de um estore corrido, chegou um cheiro de mar através do som de uma gaivota, asas que batem e cantam as odes das águas de um Tejo que nasce e morre nos fados queimados dos corações das gentes.

 Magia e saudade, misto de emoções que brotam e desaguam noites e dias afora.

 Feridas as noites, roucos os dias.

 

 A janela caiu de frente para as margens desse eterno amante de Lisboa, cacos do meu fado taciturno. Mistérios contados e recontados, desmistificados, eu exposta em rimas e traquejos de uma voz que dita o que sou e não sou eu que a tenho.

 

 O rio galgou o passeio, veio buscar os cacos que eram dele também, foi-se a janela de vez, calou-se o fado.

 

 Sem fado, sem a lembrança dos meus desamores, dos infundados medos e das notas graves, fico eu, sozinha em mim e no futuro de mim. Sem janela para me resguardar do mundo grande, feio e mau, sem protecção.

 

 Sou tudo o que tenho para dar, chegando ou não, sou mais do que seria se não tivesse um Fado em qualquer altura da minha vida.

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